Cangaço Rock

ENTREVISTA – Funesto

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Nascido das profundezas mais sombrias do underground, o Funesto é um projeto que transforma melancolia, isolamento e desolação em manifestações extremas de Depressive Suicidal Black Metal. Distante de modismos e alheio às convenções, o projeto constrói sua própria identidade através de atmosferas densas, riffs cortantes e uma obscuridade que permanece fiel às raízes mais subterrâneas do gênero. Em entrevista exclusiva ao Cangaço Rock, o idealizador do Funesto revela os caminhos que moldaram o projeto, abordando influências, processo de composição e a dedicação a uma sonoridade marcada pela intensidade e pela sinceridade artística. Uma conversa voltada àqueles que enxergam no DSBM uma expressão autêntica contra a superficialidade e o conformismo.

CR – O Funesto ultrapassa uma década de existência em um cenário onde muitos projetos surgem e desaparecem rapidamente. Ao revisitar o percurso iniciado em 2013 até chegar a Em Minha Penumbra, quais mudanças você enxerga na sua visão artística, na forma de compor e na maneira como lida com os sentimentos que alimentam a essência do projeto?
Fúnebre: Sinceramente, não acredito que minha visão artística tenha mudado muito desde 2013. A essência continua a mesma: expressar emoções reais através da música. O que mudou foram as experiências acumuladas ao longo dos anos e a forma como consigo transformar esses sentimentos em música, mas a base do Funesto permanece exatamente a mesma. O Funesto surgiu da necessidade de me expressar. Na verdade, nunca foi algo planejado ou moldado para ser uma banda. Muitas coisas aconteceram em minha vida a partir de 2012, principalmente relacionadas à depressão e à ansiedade. Meu pai também conviveu com a depressão por mais de uma década, e isso acabou afetando psicologicamente todos que estavam ao seu redor. Eu vi de perto o que a depressão pode fazer com uma pessoa. Ela vai consumindo e destruindo aos poucos, dia após dia, lentamente, até que a pessoa se torna apenas uma sombra de si mesma. Foi nesse contexto que o Funesto nasceu. Tudo surgiu de forma natural. As músicas simplesmente vêm, e eu apenas transformo sentimentos e experiências de vida em música. Não existe uma fórmula ou um planejamento artístico. Eu escrevo aquilo que sinto.

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CR – O Depressive Suicidal Black Metal é frequentemente reduzido a estereótipos por quem não conhece sua proposta artística. Para você, qual é a verdadeira natureza do DSBM e de que maneira o Funesto procura construir uma identidade própria dentro de um estilo tão carregado de simbolismos, emoções e interpretações?
Fúnebre: As pessoas costumam julgar o livro pela capa. Para muitos, o DSBM é apenas ruído, gritos e barulho, até mesmo propaganda suicida , para alguns , mas para mim sua verdadeira natureza é a liberdade de expressão. É um gênero onde as emoções mais profundas podem ser expostas sem filtros ou máscaras. A realidade é que ninguém quer ouvir os problemas dos outros. Poucas pessoas realmente se importam se você sofre com depressão, ansiedade ou qualquer condição psicológica que faça você enxergar o mundo de forma diferente. Na maioria das vezes, as pessoas apenas julgam. Por isso acredito que o DSBM se baseia principalmente na honestidade. É uma forma de transformar sentimentos reais em arte. Quanto ao Funesto, nunca criei o projeto para alcançar reconhecimento ou atingir determinados patamares dentro da cena. Tudo surgiu de forma natural, como uma necessidade de expressão. Por isso não posso dizer que sentei um dia e planejei uma identidade para o projeto. A identidade do Funesto nasceu sozinha através das experiências, emoções e momentos que deram origem às músicas. Encaro o Funesto como um livro que escrevo capítulo após capítulo. Cada lançamento representa uma página dessa história. Mas, assim como acontece com qualquer livro, ninguém sabe onde estará a última página. Talvez ainda existem muitos capítulos pela frente, talvez não. Enquanto houver algo verdadeiro para expressar, continuarei escrevendo essa história através da música.

CR – O título Em Minha Penumbra sugere um mergulho profundo em zonas obscuras da existência humana. Qual foi a concepção filosófica, emocional e artística por trás deste trabalho? Ele representa uma continuidade natural da trajetória do Funesto ou marca o início de um novo capítulo na história do projeto?
Fúnebre: Em Minha Penumbra nasceu de forma muito natural. As músicas que fazem parte desse trabalho foram compostas ao longo deste ano e, de alguma forma, me lembraram bastante os primeiros tempos do Funesto. Com o passar dos anos, é normal que você evolua como músico e compositor, mas essas faixas acabaram surgindo de uma maneira mais crua, mais espontânea e sem muitas preocupações com produção ou técnica. Quando comecei a ouvir o material pronto, percebi que todas as músicas carregavam a mesma atmosfera. Então resolvi reuni-las em um único trabalho. Gravei tudo de forma simples, como fazia no início do projeto. Ali você vai ouvir ruídos, chiados, imperfeições e uma produção mais crua. Em vez de tentar esconder isso, preferi deixar como estava, porque faz parte da essência dessas músicas. Sobre o título, Em Minha Penumbra representa muito esse lugar onde passo boa parte do tempo quando estou compondo. Não é exatamente escuridão total, mas também não é luz. É um estado de introspecção, onde pensamentos, lembranças e sentimentos acabam tomando forma através da música. Não vejo esse álbum como o começo de uma nova fase. Para mim, ele é apenas uma continuação natural do caminho que o Funesto sempre seguiu. Na verdade, eu nunca planejei o projeto dessa forma, pensando “agora vou fazer um álbum com tal proposta” ou “agora vou mudar de direção”. As músicas simplesmente acontecem de acordo com o momento que estou vivendo. No final das contas, vejo Em Minha Penumbra apenas como o Funesto sendo o Funesto. Algumas vezes vou criar trabalhos mais elaborados, outras vezes vou lançar algo mais cru e simples. Tudo depende do que estou sentindo naquele momento. Sempre foi assim desde 2013. A faixa-título, “Em Minha Penumbra”, dividida em duas partes, foi pensada para criar uma sensação de ciclo infinito. É um trabalho que, se colocado para tocar em repetição, transmite a sensação de estar preso dentro de sua própria atmosfera. Existe um loop constante entre passagens obscuras e misteriosas e o desespero emocional presente nas demais faixas. De certa forma, o álbum foi construído para soar como uma jornada sem início ou fim definidos, reforçando essa ideia de permanência dentro da própria penumbra.

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CR – Solidão, melancolia, desesperança, isolamento e conflitos existenciais são elementos recorrentes em sua obra. O que continua tornando esses temas relevantes para você enquanto compositor? Existe o receio de que determinados assuntos possam se esgotar ou acredita que a condição humana oferece infinitas possibilidades de interpretação?
Fúnebre: Não acredito que exista a possibilidade desses temas se esgotarem. Talvez apenas quando não existir mais ser humano, mas mesmo assim eles continuarão fazendo parte da história da humanidade. São temas que fazem parte da minha vida e da forma como enxergo o mundo. Acho que muitas pessoas observam apenas o que acontece ao seu redor. Se está tudo bem com elas, então o mundo parece um lugar maravilhoso. Eu tento olhar além da minha própria realidade. Quando você observa o mundo como um todo, encontra fome, doenças, guerras, violência, sofrimento e todo tipo de conflito humano. Vivemos em um verdadeiro caos, e isso acaba impactando qualquer pessoa que reflita sobre essas coisas com profundidade. Por isso acredito que a condição humana oferece possibilidades praticamente infinitas de interpretação. Enquanto o ser humano continuar existindo, esses sentimentos e conflitos continuarão existindo também. São temas que ecoam constantemente na minha mente e que, de uma forma ou de outra, sempre acabam sendo transmitidos na minha música .

Em Minha Penumbra

CR – O Black Metal sempre foi um gênero profundamente ligado à atmosfera e à expressão individual. Durante a construção de Em Minha Penumbra, quais influências musicais, literárias, filosóficas ou até mesmo experiências pessoais ajudaram a moldar a identidade do álbum?
Fúnebre: Absolutamente tudo o que vivo e vejo acaba se transformando em influência, direta ou indiretamente. Pode ser uma banda nova, artistas de outros gêneros, pinturas, filmes, livros, reportagens ou simplesmente algo que aconteceu durante o dia. Tudo acaba ficando armazenado em algum lugar e, mais cedo ou mais tarde, aparece nas músicas. O Funesto é literalmente uma página onde escrevo linha por linha conforme os dias passam. Posso compor uma música em poucas horas ou passar semanas sem nem tocar na guitarra. Tudo depende do que está acontecendo ao meu redor e dentro de mim naquele momento. Mas, acima de qualquer influência musical, filosófica ou artística, acredito que as experiências de vida são o que mais moldam minhas composições. Sempre foi assim. Eu não sento para planejar um álbum ou criar um conceito específico. As músicas simplesmente surgem, e quando percebo que elas fazem sentido juntas naquele momento da minha vida, eu as reúno e lanço. Às vezes acontece até de eu criar uma música que faz todo sentido para mim naquele dia e, no dia seguinte, já não me identifico mais com ela da mesma forma. Acho que isso faz parte da natureza do Funesto: registrar momentos, sentimentos e pensamentos exatamente como eles existem naquele instante.

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CR – O Funesto é um projeto extremamente pessoal, conduzido de forma solitária. Em uma época marcada pela hiperconectividade e pela necessidade constante de exposição, qual o significado de manter um projeto tão introspectivo e reservado? O isolamento criativo fortalece ou dificulta o processo artístico?
Fúnebre: No meu caso, o isolamento é justamente o que faz tudo acontecer. Não consigo criar de verdade sem estar no meu próprio espaço, sozinho com meus pensamentos. É nesse estado que as ideias surgem e que as músicas ganham forma. Acredito que muitas bandas acabam focando em soar como outras bandas ou em encontrar um lugar dentro de uma determinada cena. Não vejo isso como algo necessariamente errado, mas nunca foi o que me motivou. Muitas vezes tenho a impressão de que algumas pessoas estão mais preocupadas em fazer parte de algo do que em realmente se expressar. Com o Funesto acontece o contrário. Apesar de utilizar as redes sociais para divulgar meu trabalho, continuo fazendo música da mesma forma que fazia no início: como uma necessidade de expressão pessoal. Nunca escrevi músicas pensando em agradar um público específico ou seguir tendências. As músicas existem porque preciso colocá-las para fora. Por isso, acredito que o isolamento criativo fortalece meu processo artístico. É nele que encontro a liberdade para criar de forma honesta, sem me preocupar com expectativas externas ou com o que alguém espera que o Funesto seja.

CR – O underground brasileiro de DSBM vive um momento particularmente fértil, com o surgimento de novos projetos e um interesse crescente de ouvintes estrangeiros. Como você avalia essa evolução da cena nacional e quais características acredita que diferenciam o DSBM brasileiro de outras escolas ao redor do mundo?
Fúnebre: O Brasil sempre teve muitas bandas boas, e atualmente vejo novos projetos surgindo o tempo todo. Alguns realmente trazem algo verdadeiro, com personalidade e emoção. Outros acabam ficando apenas na superfície, focando em soar o mais desesperadores possível. Muitas vezes apenas querem ser uma cópia do que já foi criado, mas sem transmitir algo real. Você ouve muito ruído, muito barulho, mas pouca alma ou sentimento verdadeiro, apenas um barulho morto. Geralmente são projetos que aparecem e desaparecem rapidamente. Por outro lado, os trabalhos que carregam honestidade e expressão genuína costumam permanecer. Acho que isso vale não só para o DSBM, mas para qualquer forma de arte. Sobre o DSBM brasileiro, acredito que ele possui uma intensidade muito particular. Vivemos em um país onde tudo é difícil: equipamentos são caros, produzir música é complicado e a realidade financeira da maioria das pessoas está longe de ser confortável. Além disso, convivemos diariamente com violência, desigualdade, corrupção e diversos problemas sociais. Claro que a depressão é uma condição que pode afetar qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, independentemente de classe social. Mas acredito que a realidade que vivemos no Brasil acaba adicionando uma camada extra de angústia e sofrimento às nossas experiências. Talvez por isso boa parte do DSBM brasileiro soe tão sincero e carregado de emoções reais. Muitas vezes não estamos apenas interpretando a dor, estamos vivendo-a todos os dias de nossas vidas.

CR – Existe uma crueza muito particular nas gravações do Funesto, algo que transmite uma sensação de autenticidade difícil de reproduzir artificialmente. Essa estética nasce de uma escolha consciente de produção ou é simplesmente uma consequência natural do processo criativo e das emoções presentes nas composições?
Fúnebre: Eu utilizo os mesmos recursos de gravação desde o início. Não gosto de editar ou enfeitar as gravações. Tudo soa da forma que foi gravada. Como mencionei acima, as músicas são feitas em poucas horas. Nunca passei dias mixando ou corrigindo imperfeições. Acho que a música tem que soar da forma mais natural possível. Quando você usa recursos que mudam o que criou de forma original e acaba virando algo que soa como se não tivesse sido você quem fez, algo está errado. Eu tenho uma política de que nunca gravo ou crio algo que eu não possa reproduzir ao vivo. A música é expressão. Se você manipula isso artificialmente, você a matou.

Nas Frias Águas Onde Me Afoguei

CR – Nos últimos anos, lançamentos como Nas Frias Águas Onde Me Afoguei, Desolation II, Lâminas Frias e Dor e agora Em Minha Penumbra demonstram uma fase extremamente produtiva. Essa intensidade criativa surgiu de uma necessidade artística específica ou foi resultado de circunstâncias pessoais que impulsionaram a composição de forma mais constante?
Fúnebre: Esse ano eu comecei bem ativo. Normalmente lanço um EP a cada 2 ou 3 anos e vou lançando um ou dois singles por ano. Porém, este ano já lancei o EP Where Tears Fall Upon the Cold Gravestone, os singles Nas Frias Águas Onde Me Afoguei, Desolation II e Lâminas Frias e Dor, e acabei criando uma faixa adicional, Em Minha Penumbra, o que deu origem ao novo EP de mesmo título. Mas eu realmente não calculo essas coisas. Elas simplesmente acontecem. Posso passar um ano inteiro sem lançar nada e, de repente, lançar um novo trabalho poucos dias depois de outro. Acho que as experiências e as coisas do dia a dia acabam impulsionando isso. Como já disse anteriormente, nunca planejo quanto vou compor ou quantos lançamentos vou fazer. Tudo depende do momento que estou vivendo e do que estou sentindo.

CR – Muitos enxergam o DSBM como um gênero voltado exclusivamente para a tristeza, enquanto outros o compreendem como uma forma legítima de expressão artística e reflexão existencial. Qual é sua visão sobre essa discussão? A música extrema pode funcionar como uma ferramenta de elaboração emocional e autoconhecimento?
Fúnebre: Sim. A arte, no geral, é um reflexo de mentes que gritam por dentro. Aqui me refiro principalmente à arte extrema. Todos lidam com seus demônios internos, e muitos encontram na arte sua maneira mais honesta de se expressar. Muitas vezes, isso é apenas o que temos para nos manter vivos por mais um dia. Quando nada mais parece restar, você encontra na arte uma forma de se expressar e acaba percebendo que outras pessoas se conectam com aquilo que você está sentindo. Isso torna tudo mais interessante, porque muitas vezes você realmente acredita que está sozinho. Mas, através da arte, descobre que existem pessoas pensando e sentindo exatamente as mesmas coisas que você. De certa forma, isso cria uma conexão que dificilmente existiria de outra maneira.

Caminhando Para Morte

CR – Ao longo da discografia do Funesto, cada lançamento parece registrar um momento distinto da sua trajetória. Existe algum álbum, EP ou demo que você considera a representação mais fiel da essência do projeto? O que faz esse trabalho ocupar um lugar especial dentro da sua própria visão sobre o Funesto?
Fúnebre: Na realidade, todos os trabalhos representam uma parte importante da minha caminhada até os dias atuais. Mas acho que Lembranças de um Suicídio, de 2015, tem um lugar de destaque. Ali eu realmente sabia o rumo que o projeto estava tomando. A demo de 2013 foi basicamente improvisada; ainda era algo sem direção, eu estava me encontrando pessoalmente dentro da música. Em 2014, com o EP Caminhando para a Morte, já consegui criar faixas um pouco mais elaboradas. Porém, foi em 2015 que percebi qual caminho o projeto poderia seguir. Sem nenhuma influência direta específica, surgiram composições realmente tristes e inspiradas. Inclusive, convido todos que acompanham o projeto a ouvirem esse EP. Naquele ano, meu pai cometeu sua primeira tentativa de suicídio. Conseguimos levá-lo rapidamente ao hospital e ele sobreviveu. Foi um período extremamente difícil para toda a família, e tudo isso acabou sendo refletido nas músicas daquele trabalho de uma forma muito intensa. Foi um ano complicado, e essas experiências acabaram indo para as composições de maneira bastante pesada e impactante para mim. Por isso, Lembranças de um Suicídio é um trabalho que possui um vínculo muito forte com a trajetória do Funesto e com a minha própria história.

CR – Observando a evolução do DSBM mundial desde os pioneiros até as novas gerações, percebe-se um constante debate entre preservar as raízes do gênero e buscar novos caminhos sonoros. Como você enxerga essa questão? A inovação é necessária para manter o estilo vivo ou a força do DSBM reside justamente na permanência de suas características fundamentais?
Fúnebre: Eu realmente não me limito a seguir regras, padrões ou qualquer coisa que me prenda à ideia de ser algo raiz ou inovador. Isso é algo que as pessoas costumam avaliar muito, dizendo que determinada banda está criando algo fora dos limites do gênero. Mas existe realmente um limite? Existe uma limitação? Você pode ouvir muitas músicas do Funesto e, às vezes, dentro do mesmo trabalho, encontrar faixas que parecem nem ser da mesma banda. Isso acontece porque eu realmente não me limito na hora de criar. Não faço música para seguir um padrão, uma regra, uma opinião ou buscar aceitação de quem tenta definir o que é ou não é DSBM. Acho que a música é evolução. Você jamais vai conseguir reproduzir exatamente a mesma coisa que foi gravada há 10 ou 20 anos atrás. Então acredito que a evolução é um processo natural. Claro que devemos manter aquilo que torna o gênero único, mas não acho que devemos seguir regras rígidas ou criar músicas baseadas no que outras bandas já fizeram. Simplesmente faça sua música sem se preocupar se ela se encaixa perfeitamente em determinado nicho. Essa é a verdadeira magia da arte. Sempre digo que música é sentimento, e sentimento não é algo que você pode simplesmente programar ou controlar para onde vai. Volte no tempo: nenhum gênero do metal extremo existia há 50 anos. O que fez esses estilos surgirem foram pessoas se permitindo testar coisas novas e lançar algo que ninguém tinha ouvido antes. A evolução é natural e está fora do nosso controle. Se observarmos o Black Metal, a quantidade de subgêneros que surgiu ao seu redor é algo realmente impressionante. Imagine se todos tivessem ficado presos a padrões e limites sobre até onde poderiam ir. Não existiria inovação, apenas repetição.

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CR – O Funesto construiu uma trajetória marcada pela honestidade artística e pela conexão com ouvintes que encontram significado em suas composições. Ao encerrar esta entrevista, que mensagem você gostaria de deixar para aqueles que acompanham o projeto desde os primeiros registros e para quem está entrando agora em Em Minha Penumbra através deste novo álbum?
Fúnebre: Aos que estão com o Funesto desde o início, agradeço imensamente. Eu faço músicas e compartilho, e foi assim que conheci pessoas que estão com os mesmos problemas que eu, se conectando verdadeiramente com as minhas músicas. Isso realmente inspira. No início parecia ser um caminho vazio, mas há um ponto que as pessoas não veem nesse gênero: ele não está ali para ferir ou machucar. Basta ouvir e verá que, em meio a tantas coisas negativas, algo realmente reflexivo está sendo extraído dali. As pessoas se conectam de forma real e verdadeira porque estão na mesma situação. Eu recebo muitas mensagens de pessoas que encontraram na minha música maneiras de seguir vivendo e se mantendo firmes através dessa caminhada desgastante que é a nossa curta e limitada vida. A todas essas pessoas, só tenho a agradecer por também fazerem parte disso. Aos que chegaram ou estão conhecendo o Funesto através deste novo trabalho, fiquem à vontade para explorar a minha única maneira de me expressar de forma sincera sobre minha vida, meus pensamentos, minhas angústias, tristezas e reflexões de vida. Há uma longa jornada para que vocês possam ver muito além do barulho. No DSBM, vocês podem encontrar algo para realmente refletir sobre si mesmos. Aqui também fica um agradecimento especial ao espaço que o Cangaço Rock deu para esta entrevista. E, por fim, se mantenham vivos. Lembrem-se: todo dia pode ser o último e, apesar de o fim parecer libertador (e realmente pode ser), talvez amanhã você encontre algo que o faça se manter vivo e apreciar pequenas doses de felicidade em meio a tanto caos.

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