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Funeral Mágico – Duendes & Escamados (2026)

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Oriundo de Viamão, no Rio Grande do Sul, o Funeral Mágico surgiu em 2025 propondo uma sonoridade que absorve elementos do doom metal, stoner rock, hard rock setentista e psicodelia, construindo uma identidade própria marcada por atmosferas densas e viagens sonoras carregadas de simbolismo. Formado por Voodoo Vince (guitarras e vocais), Peter II, The Coffin Hermit (teclados e vocais), Chernobog (baixo) e Mr. Félix Moustache (bateria), o grupo estreia com Duendes & Escamados, lançado de forma independente em maio de 2026. A produção preserva uma estética orgânica, privilegiando timbres quentes e naturais, enquanto a mixagem mantém todos os instrumentos em evidência sem comprometer o peso das composições. A masterização respeita a dinâmica das faixas, permitindo que cada mudança de intensidade seja percebida com clareza. A arte da capa complementa perfeitamente a proposta do disco, evocando o imaginário lisérgico, ocultista e fantástico que permeia toda a obra.

A breve “Bem Vindos ao Funeral Mágico (Intro)” funciona como um portal para esse universo peculiar. Em pouco mais de um minuto, sintetizadores, efeitos ambientais e uma ambientação nebulosa preparam o terreno para “Mindless Spectrum”, primeira composição completa do EP. A faixa cresce lentamente através de riffs arrastados, linhas de baixo pulsantes e uma bateria que valoriza o peso sem abrir mão do groove. As guitarras alternam momentos de distorção espessa com passagens mais limpas, enquanto os teclados ampliam a sensação de imersão. Totalmente instrumental, a composição aposta na força da construção atmosférica, permitindo que os instrumentos conduzam toda a narrativa sonora sem a necessidade de vocais.

A experiência torna-se ainda mais intensa em “Black Neddles”, uma composição extensa que explora diferentes texturas ao longo de seus mais de dez minutos. O trabalho das guitarras merece destaque pela construção dos riffs, que evitam a repetição excessiva e conduzem a música por diversos caminhos sem perder sua unidade. O baixo assume papel importante na sustentação do peso, frequentemente dialogando com a bateria em levadas cadenciadas que reforçam o caráter hipnótico da composição. Os teclados surgem de maneira sutil, preenchendo os espaços com camadas atmosféricas que enriquecem a narrativa musical. A influência do rock psicodélico dos anos 1970 aparece de forma natural, assimilada ao estilo da banda sem comprometer sua personalidade mais pesada e obscura. Os vocais aparecem de forma marcante, alternando interpretações soturnas e carregadas de psicodelia, integrando-se naturalmente às mudanças de dinâmica da faixa e ampliando sua atmosfera ritualística e envolvente.

O encerramento com “Labia Minora Blues” representa o momento mais ambicioso do trabalho. Em quase vinte e dois minutos, o Funeral Mágico desenvolve uma verdadeira viagem sonora, alternando momentos contemplativos, explosões de peso e longos trechos instrumentais que permitem aos músicos explorar plenamente suas capacidades. As guitarras conduzem boa parte da narrativa com riffs densos e solos carregados de feeling, enquanto o baixo mantém a estrutura firme e a bateria demonstra sensibilidade ao acompanhar cada mudança de andamento. Os teclados aparecem como elemento fundamental para ampliar a atmosfera psicodélica, criando passagens quase cinematográficas. Sem recorrer aos vocais, a composição sustenta seu poder expressivo por meio da interação entre os instrumentos, construindo uma atmosfera envolvente e um desfecho que reforça o caráter contemplativo e experimental da proposta do EP.

Duendes & Escamados apresenta uma estreia extremamente promissora. Mesmo reunindo apenas quatro faixas em formato de EP, o Funeral Mágico desenvolve um trabalho coeso, rico em detalhes e capaz de prender a atenção do início ao fim, evidenciando maturidade composicional e uma identidade sonora bem definida.

A sintonia entre os músicos é evidente, permitindo que cada instrumento encontre seu espaço sem disputar protagonismo, sempre em função da experiência coletiva. A banda demonstra maturidade na composição, explorando o doom, o stoner e a psicodelia com personalidade e criatividade, sem depender de fórmulas prontas. O resultado é um trabalho que valoriza a atmosfera, a construção paciente das músicas e a força dos detalhes instrumentais, consolidando o Funeral Mágico como um nome bastante interessante dentro do cenário underground brasileiro e um projeto que certamente merece ser acompanhado em seus próximos lançamentos.

Tracklist:
1. Bem Vindos ao Funeral Mágico (Intro)
2. Mindless Spectrum
3. Black Neddles
4. Labia Minora Blues

Line-up:
Voodoo Vince Guitarras e vocais.
Peter II, The Coffin Hermit – Teclados e vocais.
Chernobog – Baixo.
Mr. Félix Moustache – Bateria.

Contatos: Instagram | YouTube | Bandcamp

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Cristiano Borges é historiador formado pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), pesquisador da cena underground e editor da revista Cangaço Rock. Autor de diversos fanzines e publicações voltadas à música extrema, teve o estudo “Ratos de Porão e o disco Brasil: ‘ame-o ou deixe-o’ ou o passado presente” publicado no livro Música Extrema: Ruídos, Imagens e Sentidos (2022). Atualmente, dedica-se à pesquisa da cena underground brasileira e internacional, com foco em suas dimensões históricas, culturais e sociais.

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