O underground não precisa de autorização para incomodar, e o Disruption Path sabe muito bem disso. Em Conclave ov Chaos, álbum lançado em 1º de outubro de 2026, o quinteto de Porto Ferreira, São Paulo, aposta no death metal de raízes old school, recuperando a aspereza e a hostilidade que fazem parte da essência do gênero, mas sem ignorar os recursos de uma abordagem contemporânea. São dez faixas dedicadas à brutalidade sonora e ao questionamento de estruturas que alimentam a alienação social, a submissão religiosa e a manipulação ideológica. A proposta não tenta reinventar o death metal, tampouco precisa disso para encontrar sua identidade. O que interessa aqui é transformar riffs pesados, bateria agressiva e vocais extremos em combustível para um discurso de ruptura. O resultado é um trabalho que procura manter viva a tradição do metal extremo sem tratar suas raízes como peça de museu. O Disruption Path quer barulho, confronto e reflexão, e coloca esses elementos no centro de sua estreia em formato completo.
“Death Metal” abre os trabalhos como uma declaração de princípios, estabelecendo o direcionamento agressivo que conduz o álbum. Na sequência, “In the Name of Your God” e “Religion” colocam a religião sob questionamento, com títulos que dialogam diretamente com a proposta de romper mecanismos de obediência e controle. Com 5 minutos e 43 segundos, “Religion” é a composição mais longa do repertório, oferecendo maior espaço para o desenvolvimento de sua abordagem. “Ritual” mantém a atmosfera sombria, enquanto “Slaves to the Divine” reforça a discussão sobre submissão e aprisionamento ideológico. Não é difícil perceber uma linha temática conectando essas composições: a contestação de verdades impostas e das estruturas que condicionam o pensamento. A força dessa sequência está na maneira como o conceito se integra à identidade do disco, sem abandonar a linguagem direta do death metal. Aqui, a crítica não aparece como enfeite para acompanhar a brutalidade, mas como parte daquilo que o grupo pretende comunicar.
“The Black Book of Lies” dá continuidade ao clima de desconfiança e manipulação, preparando o terreno para “Disruption Path”, faixa que carrega o nome da banda e sintetiza sua ideia de ruptura. “Ripper Assassin” direciona o repertório para um imaginário mais violento, enquanto “Innocent Blood” evoca as consequências da brutalidade e o peso das vidas sacrificadas. Fechando o álbum, “Hellish Illusion” retoma a atmosfera de condenação e engano que atravessa o trabalho. A disposição das dez faixas mantém a coerência temática e evita que o disco perca de vista sua proposta central. Mais do que enumerar títulos provocativos, o repertório procura estabelecer uma ligação entre violência sonora e crítica social, trazendo para o universo do metal extremo questões relacionadas à fé, ao poder e à alienação. A leitura individual de cada composição ganha profundidade quando acompanhada da escuta, mas o conjunto já deixa evidente a intenção de construir uma identidade em torno do confronto e da inconformidade.
Na formação, Fernando Alan e Kleber Maximo assumem as guitarras, responsáveis pela construção das bases pesadas e das linhas que sustentam a identidade do grupo. Adler Marcatti ocupa o baixo, Daniel Fuzaro conduz a bateria e Helton Henrique fica à frente dos vocais. É essa combinação que dá corpo à proposta do quinteto, centrada na agressividade e na retomada das raízes do gênero. A história da banda também merece registro: antes de Conclave ov Chaos, o Disruption Path lançou o EP Warped Sanity, em 2019, e o single “Hellish Illusion”, em 2020. O álbum de 2026 representa, portanto, um passo importante nessa trajetória, reunindo em um lançamento mais abrangente a identidade que o grupo vem desenvolvendo. A produção foi conduzida pela própria banda em parceria com Alexandre Machanocker, no Mob Dick Estúdios, enquanto a arte de capa ficou a cargo de Alcides Burn. A edição será lançada pelos selos: Arsenal Distro, Sacramental Records e Mutilation Records, nomes ligados à circulação do metal extremo. Embora os créditos disponíveis não detalhem individualmente a mixagem e a masterização, o envolvimento dos músicos na produção reforça o caráter autoral do lançamento.
Conclave ov Chaos é um disco que procura honrar a tradição sem transformar o passado em fórmula intocável. O Disruption Path aposta em uma linguagem brutal, títulos provocativos e uma temática que busca ultrapassar a violência pela violência, colocando em discussão os mecanismos de alienação presentes na sociedade. A proposta de resgatar o death metal old school com elementos modernos encontra sentido nessa combinação entre identidade sonora e posicionamento conceitual. Não há necessidade de recorrer a comparações extensas para reconhecer o lugar que o grupo pretende ocupar: o quinteto apresenta suas credenciais e assume o compromisso de fazer do metal extremo um espaço de contestação. Com dez faixas e cerca de quarenta minutos de duração, o álbum chega como um registro importante para a caminhada da banda paulista e uma contribuição para o underground nacional. Para quem acompanha o metal extremo produzido no Brasil, fica o convite para conhecer o trabalho, prestar atenção ao discurso e conferir de perto a proposta do Disruption Path. O caos está convocado.
Tracklist:
1. Death Metal
2. In the Name of Your God
3. Religion
4. Ritual
5. Slaves to the Divine
6. The Black Book of Lies
7. Disruption Path
8. Ripper Assassin
9. Innocent Blood
10. Hellish Illusion (Bonus Track)
Line-up:
Adler Marcatti – Baixo.
Daniel Fuzaro – Bateria.
Fernando Alan – Guitarra.
Helton Henrique – Vocais.
Kleber Maximo – Guitarra
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