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Malkuth – Necrolatry (2026)

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O underground pernambucano continua produzindo suas próprias manifestações de obscuridade, e o Malkuth conhece bem esse território. Com Necrolatry, lançado em 23 de outubro de 2026, o grupo apresenta três composições inéditas que reafirmam sua ligação com o Pagan Black Metal, o ocultismo e a estética satânica. São mais de três décadas de caminhada desde sua formação, em 1993, e o quinteto segue alimentando uma identidade construída longe de concessões ao gosto fácil. Gravado e mixado no Darkside Studio, em Recife, entre maio e outubro de 2026, o EP chega às plataformas digitais com distribuição da SFP – Press & PR. A proposta é direta: três faixas, uma atmosfera carregada e a continuidade de uma trajetória que mantém o nome da banda ligado à resistência do metal extremo nordestino.

“Mammon, Lord of All Riches and Lust” abre o trabalho trazendo a figura de Mammon, associada à riqueza, à ganância e à luxúria, para o centro do imaginário profano do Malkuth. A composição também carrega a contribuição de Azazel, responsável pela construção da faixa em parceria com a banda. Na sequência, “Lycanthropus” desloca o foco para o universo da licantropia, evocando transformação, instinto e bestialidade. Os títulos não estão ali apenas para alimentar uma estética obscura: juntos, ajudam a estabelecer um repertório atravessado por símbolos e imagens que dialogam com a identidade temática do grupo. A sequência funciona como uma preparação para a faixa final, mantendo o EP concentrado em seu propósito e sem dispersar a proposta em caminhos desnecessários.

A faixa-título, “Necrolatry”, encerra o EP com um diferencial importante: a participação especial de Ângela Fullmoon nos vocais femininos, acrescentando novas nuances à atmosfera ritualística da composição. Na formação, Sir Cernunnus Ashtaroth assume vocais, guitarras, violão e teclados; Kronos fica responsável pela guitarra solo; Baron Samedi reúne contrabaixo, teclados e vocais de apoio; e Abbadon ocupa a bateria. Essa distribuição de funções permite trabalhar diferentes texturas dentro da estrutura do black metal, articulando o peso das guitarras com recursos instrumentais que podem acentuar o caráter sombrio das composições. A participação feminina, por sua vez, distingue a faixa-título dentro do conjunto e reforça sua posição como encerramento conceitual do EP. São três músicas, mas cada uma contribui de maneira própria para a construção desse pequeno opus de obscurantismo.

Na parte técnica, o registro foi produzido no Darkside Studio, em Recife, com gravação e mixagem realizadas ao longo de cinco meses. A arte ficou nas mãos da Demonart Artwork, responsável pela identidade visual do lançamento, enquanto a SFP – Press & PR responde pela distribuição digital. O conjunto desses elementos acompanha a proposta do Malkuth sem retirar o trabalho de seu contexto natural: o underground, onde a identidade visual, o discurso e a sonoridade caminham lado a lado na construção de uma obra extrema. Em um lançamento de apenas três faixas, a concisão faz parte da própria experiência, concentrando a atenção no repertório e na unidade temática que conecta as composições.

Com mais de 30 anos de estrada, o Malkuth permanece como um nome ligado à história do metal extremo pernambucano, mantendo vivo um discurso que encontra no ocultismo, no paganismo e na iconografia satânica suas principais referências. Necrolatry não precisa de uma longa duração para cumprir seu papel: apresenta três composições inéditas, incorpora participações especiais e reafirma a continuidade de uma trajetória construída dentro da cena. “Mammon, Lord of All Riches and Lust”, “Lycanthropus” e “Necrolatry” formam um conjunto compacto, orientado por imagens profanas e pela atmosfera obscura que acompanha a identidade do grupo. É material para quem ainda reconhece no metal extremo uma expressão de inconformismo, personalidade e resistência cultural. No fim das contas, o Malkuth segue fazendo o que o underground exige de quem pretende permanecer nele: manter suas convicções, alimentar sua própria linguagem e continuar espalhando sua blasfêmia sem pedir licença.

Tracklist:
1. Mammon, Lord of all Riches and Lust
2. Lycanthropus
3. Necrolatry

Line up:
Sir Cernunnus Ashtaroth – Voz, guitarra, violão e teclados.
Ângela Fullmoon – Participação especial nos vocais femininos da faixa “Necrolatry”.
Kronos – Guitarra solo.
Baron Samedi – Backing vocals, contrabaixo e teclados.
Abbadon – Bateria.

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Cristiano Borges é historiador formado pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), pesquisador da cena underground e editor da revista Cangaço Rock. Autor de diversos fanzines e publicações voltadas à música extrema, teve o estudo “Ratos de Porão e o disco Brasil: ‘ame-o ou deixe-o’ ou o passado presente” publicado no livro Música Extrema: Ruídos, Imagens e Sentidos (2022). Atualmente, dedica-se à pesquisa da cena underground brasileira e internacional, com foco em suas dimensões históricas, culturais e sociais.

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