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Neptunn – Parallaxis (2026)

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O death metal gaúcho ganha um novo registro com Parallaxis, álbum de estreia da Neptunn, banda formada em Porto Alegre (RS), em 2020. Depois de apresentar suas primeiras composições no EP (Re)Existence (2024), o grupo amplia seus horizontes neste full-length de nove faixas, lançado pela Old Shadows Records. A proposta combina agressividade, complexidade instrumental e uma temática que dialoga com o universo científico e cósmico. Logo em “A Bereft Memoir”, a banda estabelece as bases de sua sonoridade, explorando mudanças rítmicas, riffs trabalhados e passagens que exigem atenção. A Neptunn não depende apenas da velocidade para impor sua força: existe uma preocupação com a construção das músicas e com o encaixe entre os instrumentos, mantendo a brutalidade no centro da composição.

A complexidade ganha novos contornos em “Invariant Pulse”, faixa que evidencia a importância da bateria e da articulação entre os instrumentos para sustentar as mudanças de andamento. Os riffs conduzem a composição por diferentes caminhos, enquanto a base rítmica mantém a firmeza necessária para que a música não perca seu impacto. Em “Neptunn Rises”, a banda reforça essa identidade com uma abordagem que equilibra execução técnica e agressividade. Já “Odyssey Pt. 1” e “Odyssey Pt. 2” ampliam a dimensão conceitual do repertório, funcionando como partes complementares de uma jornada musical ligada à temática espacial. As guitarras de Rafael Giovanoli e Franklin Nunes assumem papel importante nessa construção, alternando passagens elaboradas e riffs pesados sem deixar a música refém do virtuosismo.

Entre as construções mais elaboradas do repertório, “Fractal Self-Similarity” merece atenção tanto pelo título, associado a padrões matemáticos, quanto pela maneira como se encaixa na proposta conceitual do álbum. A faixa reforça o interesse da Neptunn por temas científicos, enquanto “Transcendence”, divulgada como single antes do lançamento, apresenta outro recorte da identidade musical do grupo. O trabalho instrumental depende da integração entre os músicos: Nathália Ernst sustenta as linhas de baixo, Arthur Tomazelli conduz a bateria e Jenny Vieira assume os vocais nesta formação. A execução exige precisão e controle, sobretudo nos momentos em que as mudanças rítmicas e as estruturas mais intrincadas poderiam comprometer a fluidez. O resultado mantém a agressividade do death metal, mas acrescenta camadas que recompensam uma audição atenta.

O conceito de Parallaxis também se manifesta na apresentação visual do lançamento. A faixa-título remete à paralaxe, fenômeno relacionado à mudança aparente da posição de um objeto conforme o ponto de observação, estabelecendo uma conexão com o universo científico que inspira o trabalho. A arte da capa, assinada pelo guitarrista Rafael Giovanoli, contribui para essa identidade e aproxima o aspecto visual da proposta temática. O videoclipe da música, produzido pelo Selo Bruto, amplia a apresentação audiovisual do álbum. Em um trabalho marcado por arranjos densos e execução técnica, a produção sonora também assume importância fundamental, pois a definição das guitarras, do baixo, da bateria e dos vocais é essencial para preservar os detalhes das composições. Sem informações confirmadas sobre os responsáveis pela produção, mixagem e masterização, não cabe atribuir créditos específicos a essas etapas.

É com “Resignify” que o álbum estabelece uma ponte direta com os primeiros passos da banda, recuperando uma composição associada ao EP (Re)Existence e conectando o material anterior à nova etapa da discografia. Formada em 2020, a Neptunn chega ao primeiro full-length com uma proposta que valoriza a técnica sem abandonar o peso e a agressividade. Ao longo das nove faixas, o grupo explora riffs trabalhados, variações rítmicas e uma temática conceitual que atravessa tanto a música quanto a apresentação visual. Parallaxis exige atenção, especialmente de quem aprecia as possibilidades mais elaboradas do death metal, mas não perde de vista a força que sustenta o gênero. Com o lançamento pela Old Shadows Records, a banda marca um momento importante de sua trajetória e apresenta um trabalho que merece circular entre os apreciadores do metal extremo brasileiro. Aumente o volume e confira!

Tracklist:
1. A Bereft Memoir (instrumental)
2. Invariant Pulse
3. Neptunn Rises
4. Odyssey, Pt.1
5. Odyssey, Pt.2
6. Fractal Self-Similarity
7. Transcendence
8. Parallaxis
9. Resignify

Line-up:
Jenny Vieira – Vocais
Rafael Giovanoli – Guitarras
Franklin Nunes – Guitarras
Nathália Ernst – Baixo
Arthur Tomazelli – Bateria.

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Cristiano Borges é historiador formado pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), pesquisador da cena underground e editor da revista Cangaço Rock. Autor de diversos fanzines e publicações voltadas à música extrema, teve o estudo “Ratos de Porão e o disco Brasil: ‘ame-o ou deixe-o’ ou o passado presente” publicado no livro Música Extrema: Ruídos, Imagens e Sentidos (2022). Atualmente, dedica-se à pesquisa da cena underground brasileira e internacional, com foco em suas dimensões históricas, culturais e sociais.

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