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WARTHRASH – No Light Shall Remain (2026)

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A cena extrema colombiana segue produzindo bandas que merecem atenção muito além das fronteiras sul-americanas, e o WARTHRASH demonstra isso com autoridade em No Light Shall Remain. Lançado pela Awakening Records, o segundo álbum completo do quarteto de Medellín representa a consolidação de uma identidade construída ao longo de duas décadas, abandonando de vez qualquer apego exclusivo ao thrash metal tradicional para abraçar uma sonoridade fortemente enraizada no death metal clássico escandinavo e norte-americano.

Desde os primeiros minutos, fica evidente que o grupo encontrou um equilíbrio interessante entre agressividade, peso e composição. A influência de gigantes como DEATH, MORBID ANGEL, ENTOMBED e DISMEMBER é perceptível, mas não chega ao ponto de transformar o álbum em um simples exercício de nostalgia. O WARTHRASH utiliza essas referências como base para desenvolver um trabalho que soa familiar aos veteranos do gênero, sem perder personalidade própria.

A faixa-título, “No Light Shall Remain”, abre o disco estabelecendo uma atmosfera de destruição e desolação. Os riffs cortantes e a abordagem direta já deixam claro que não haverá espaço para excessos técnicos desnecessários. O objetivo aqui é simples: esmagar o ouvinte através de composições sólidas e eficientes.

“Culebras Sin Honor” surge como um dos momentos mais explosivos do álbum. Os riffs incendiários e os blast beats bem posicionados criam uma sensação constante de urgência, enquanto os vocais guturais reforçam o clima hostil. É uma música construída sobre a velha máxima de que velocidade só funciona quando acompanhada por bons riffs, e o WARTHRASH compreende isso perfeitamente.

Em “Shadows of Power” e “Crucifixion”, a banda explora estruturas mais cadenciadas sem comprometer a intensidade. São faixas que demonstram maturidade na composição, utilizando variações de andamento para evitar a monotonia que frequentemente afeta muitos lançamentos do death/thrash contemporâneo.

“Oscura Condena” figura facilmente entre os destaques absolutos do trabalho. Sua dinâmica agressiva permanece praticamente ininterrupta, criando uma das experiências mais violentas do disco. Aqui, a combinação entre bateria precisa, guitarras afiadas e uma produção orgânica produz um resultado devastador.

Já “Wounds” funciona como uma ponte interessante entre os momentos mais velozes e as passagens mais pesadas do álbum. Embora não possua o mesmo impacto imediato de outras faixas, contribui para a fluidez da audição e reforça a consistência do conjunto.

A dupla “Undefeated” e “Hand of Doom” apresenta uma faceta ligeiramente diferente do WARTHRASH. Os andamentos galopantes e a atmosfera quase épica acrescentam variedade sem descaracterizar o álbum. Em especial, “Hand of Doom”, inspirada em Infernal Majesty, entrega um dos riffs mais memoráveis do trabalho, demonstrando que a banda sabe construir momentos marcantes sem recorrer a fórmulas fáceis.

Nos minutos finais, “Abyss of No Return”, “Ruins” e “Empty Existence” mantêm o padrão elevado. Em vez de encerrar o álbum de forma apressada, o grupo preserva a intensidade até o último segundo, reforçando a sensação de unidade entre todas as composições.

A produção merece destaque. Gravado e masterizado no Area 51 Studios, o álbum possui clareza suficiente para evidenciar cada instrumento, mas evita a esterilidade que vem contaminando parte do metal extremo moderno. Há sujeira, há aspereza e há peso real. O resultado remete à agressividade dos clássicos dos anos 1990 sem soar datado.

Nem tudo, entretanto, é perfeito. Em alguns momentos, especialmente na segunda metade do disco, certas estruturas rítmicas acabam se repetindo mais do que o ideal. Embora a qualidade dos riffs sustente a audição, algumas faixas poderiam apresentar transições mais ousadas ou elementos que ampliassem ainda mais a identidade própria da banda. Além disso, a forte presença das influências clássicas ocasionalmente supera os traços mais particulares do WARTHRASH, fazendo com que determinadas passagens soem excessivamente familiares para ouvintes acostumados ao death metal tradicional.

Ainda assim, essas observações não diminuem a força do material. No Light Shall Remain é um álbum consistente, agressivo e extremamente honesto em suas intenções. O WARTHRASH não tenta reinventar o gênero nem seguir tendências contemporâneas; prefere concentrar seus esforços na criação de músicas pesadas, bem executadas e repletas de riffs memoráveis. E, dentro dessa proposta, o objetivo é plenamente alcançado.

Com este lançamento, os colombianos demonstram estar prontos para alcançar públicos maiores na Europa, Ásia e além da América Latina. Trata-se de um disco que honra as tradições do death/thrash metal enquanto reafirma a vitalidade da cena extrema colombiana.

Tracklist:
1. No Light Shall Remain
2. Culebras Sin Honor
3. Sombras del Poder
4. Crucifixion
5. Oscura Condena
6. Wounds
7. Undefeated
8. Hand of Doom
9. Abismo Sin Retorno
10. Ruins
11. Hollow Existence

Line-up:
Caronte – Bateria / Vocais
Nosferatu – Guitarras
Silent – Baixo
Merciless – Guitarra Solo

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Cristiano Borges é historiador formado pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), pesquisador da cena underground e editor da revista Cangaço Rock. Autor de diversos fanzines e publicações voltadas à música extrema, teve o estudo “Ratos de Porão e o disco Brasil: ‘ame-o ou deixe-o’ ou o passado presente” publicado no livro Música Extrema: Ruídos, Imagens e Sentidos (2022). Atualmente, dedica-se à pesquisa da cena underground brasileira e internacional, com foco em suas dimensões históricas, culturais e sociais.

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