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ENTREVISTA – Headhunter D.C.

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Após quatorze anos sem lançar um álbum de estúdio, a lendária banda baiana Headhunter D.C. retorna com Rise of the Damned…, trabalho que também celebra os quarenta anos de existência de uma das formações mais respeitadas e resilientes do Death Metal brasileiro. Gravado em Salvador e lançado pela Mutilation Records, o disco reafirma a filosofia do chamado “Headhunter Death Cult”, mantendo intacta a identidade construída desde os anos 1980.

CR – Rise of the Damned… chega exatamente no momento em que o Headhunter D.C. completa quarenta anos de existência. Quando vocês observam essa longa caminhada iniciada ainda na década de 1980, quais foram os momentos mais decisivos para a sobrevivência da banda dentro de um cenário tão hostil e mutável quanto o underground extremo?
Sérgio Baloff: Um grande salve a todos! A ascensão dos amaldiçoados começou! Na verdade, os 40 anos da banda vêm em 2027, mas também podemos dizer que eles já chegaram realmente, se levarmos em conta que o embrião da banda, o Túmulo, surgiu em 1986. De qualquer forma, as comemorações dos 40 anos do Headhunter D.C. já começaram, e nada melhor do que celebrar esse momento histórico com um novo álbum após 14 anos desde “...In Unholy Mourning…“, nosso último trabalho de estúdio até então. Eu acho que para uma banda como a nossa, underground até a medula, tocando Death Metal por paixão e não por moda, e do Nordeste brasileiro, cada ano mantendo-se vivos e ativos, cada trabalho lançado e cada show realizado é um momento decisivo para a sobrevivência dentro da cena, pois as dificuldades e desafios são grandes e muitos, então cada conquista, por menor que possa parecer para alguns, é digna de ser celebrada. Atravessar 4 décadas de forma ininterrupta, sem jamais termos desonrado o nosso nome e nossa história e dentro dessa realidade realmente não é pra qualquer um, então tudo isso é motivo de muito orgulho para mim e para quem está ao meu lado nessa nova era do Culto da Morte.

CR – Passaram-se aproximadamente quatorze anos entre “...In Unholy Mourning…” e “Rise of the Damned…” O que motivou um intervalo tão extenso entre os dois trabalhos e de que forma esse período influenciou o processo criativo e conceitual do novo álbum?
Sérgio Baloff: Mais uma vez os percalços no caminho tornaram as coisas mais difíceis pra gente. Nesses 14 anos muitas coisas aconteceram, entre boas e ruins, mas obviamente foram os aspectos negativos que nos levaram a mais um hiato quase interminável entre um álbum e outro, sendo basicamente os problemas com a formação o maior deles. Infelizmente existem coisas que fogem ao nosso controle, principalmente quando dependemos de outras pessoas para se desenvolver um trabalho, como é o caso de uma banda. “Rise of the Damned…” começou a ser escrito ainda em 2013, quando compus a primeira música desse atual material, e entre 2017 e 2018 eu já estava com praticamente todo o material pronto, então daí você tem uma ideia do tempo que passamos trabalhando nesse álbum, o que no final acabou sendo uma grande vantagem apesar de tudo, pois pudemos entregar um álbum com muito mais esmero e quase exatamente como eu queria. Além disso, acho que muito do que passamos nesse ínterim inevitavelmente influenciou na atmosfera do disco, deixando-o ainda mais raivoso, brutal e obscuro. Enfim, acho que a longa espera realmente valeu a pena.

CR – O título “Rise of the Damned…” sugere uma espécie de triunfo dos condenados sobre os sistemas de fé, moralidade e submissão. Qual é a mensagem central por trás desse conceito e como ela dialoga com a filosofia que o Headhunter D.C. vem desenvolvendo ao longo das últimas décadas?
Sérgio Baloff: Conceitualmente, “Rise of the Damned…” é a epítome de tudo aquilo que penso acerca da podridão do cristianismo, a continuidade do que eu já abordava nos álbuns anteriores, mas creio que de uma forma ainda mais madura e consciente; é onde a Poesia Necro-Herética do Headhunter D.C. atinge o seu ápice. Apesar de não se tratar de um álbum conceitual, acho que cada letra comunga-se entre si numa grande harmonia filosófica e ideológica e, assim como o lado musical, esse lado conceitual do álbum também me trouxe uma enorme satisfação em seu resultado final. “Rise of the Damned…” é a ascensão dos então chamados “hereges” (e orgulhosamente o somos!) pela Igreja Católica e todas as demais instituições hipócrito-religiosas sobre seus dogmas parasitários; é o nosso brado definitivo de vitória sobre todos aqueles que nos sentenciaram e nos condenaram a um limbo que não é nosso, mas deles. Como tenho dito, acho que nunca um título de álbum se encaixou tão perfeitamente para o momento que atravessamos como este — e isso estende-se e confunde-se com o meu próprio momento, que também atravessei nesse período de concepção do álbum. “Como uma Fênix nós ascendemos para nossa vingança negra“!

CR – A arte criada por Marcos Miller apresenta uma atmosfera profundamente apocalíptica, obscura e anticristã. Até que ponto a capa funciona como uma extensão visual das letras e da proposta conceitual do álbum? Houve uma direção específica passada ao artista para traduzir a essência do disco?
Sérgio Baloff: Um álbum de Metal deve funcionar de forma plena e cada aspecto do mesmo deve estar em harmonia e comunhão um com o outro para que a essência do trabalho seja exposta e entregue da forma mais completa possível, pois um serve de moldura e alicerce para o outro. Uma capa deve traduzir e sintetizar a arte contida em um álbum como um todo, de forma que, ao vê-la, o ouvinte já saiba o que esperar quando colocá-lo para tocar. Ela é e deve ser a extensão das músicas e das letras de um álbum para tornar a obra integral em sua essência. Eu sempre passo um texto explicando o conceito da capa e a minha visão da cena da mesma ao artista responsável, junto com algum esboço e, às vezes, a faixa-título, para que o artista possa se aprofundar ainda mais em todo o contexto, e mais uma vez fiquei extremamente satisfeito com o resultado final, pois o Marcos Miller absorveu fielmente toda a ideia passada pra ele. Sem dúvidas, uma de nossas melhores capas!

CR – A introdução “…40 Years’ Deathmarch” parece simbolizar uma verdadeira marcha de guerra através da história da banda. Ela foi concebida como uma homenagem à trajetória do Headhunter D.C. ou representa algo ainda mais amplo dentro do conceito do álbum?
Sérgio Baloff: Sim, a ideia por trás do título e da própria intro em si é justamente sintetizar os 40 anos ininterruptos da banda com uma longa marcha que nos leva rumo aos campos de batalha do Death Metal Underground.

CR – Faixas como “Unblessed by the Unsacred”, “No Salvation from Above” e “Burn the Book of Lies” reforçam o caráter blasfemo e antirreligioso que sempre esteve presente na identidade do grupo. Como vocês enxergam a relevância desses temas atualmente, em um mundo tão diferente daquele que existia quando a banda surgiu?
Sérgio Baloff: Na verdade, o mundo não mudou tanto assim de 40 anos pra cá — de fato ele só piorou, principalmente no aspecto hipócrito-religioso. O cristianismo ainda escraviza pessoas desprovidas de esperança ao redor do mundo assim como há 40 anos, ainda que o acesso à informação seja infinitamente maior do que naquela época, sem falar que esses exploradores da fé alheia estão cada vez mais inseridos na política mundial, entre outros aspectos que propagam cada vez mais toda essa podridão religiosa ao nosso redor, então ainda temos muito a lutar contra. Nossas letras são como uma avalanche de blasfêmia a derrubar os portões dourados da cristandade hipócrita!

CR – Musicalmente, o álbum mantém uma forte ligação com o Death Metal clássico, mas sem soar como mera nostalgia. Na opinião de vocês, quais elementos definem a essência do verdadeiro Death Metal e quais características jamais podem ser sacrificadas em nome da modernização?
Sérgio Baloff: Fomos formados em 1987, quando o Death Metal ainda estava em seus primeiros dias. Vimos o gênero nascer em 84/85, absorvemos a essência de sua gênese primordial e, com essa consciência do que realmente é o Death Metal Underground, uma forma brutalmente visceral de se tocar Heavy Metal desenvolvida ao longo de mais de 40 anos, surgiu o Headhunter Death Cult. O Death Metal foi criado de uma fusão apocalíptica entre o raging Thrash com o raw Hardcore, sem esquecer, é claro, da bestialidade sonora do Venom, portanto eu diria que essas são as características essenciais para o verdadeiro Death Metal. A partir de 87 o Grindcore deu a explosão de velocidade que abriu horizontes ainda mais extremos ao gênero. Uma vez sacrificados esses aspectos primordiais e/ou permitida a inclusão de elementos alheios à sua essência, põe-se a veracidade do que chama-se de True Death Metal sob questionamento. Ortodoxo? Mente fechada? Sim, com muito orgulho!

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CR – O Headhunter D.C. atravessou diferentes fases do metal extremo mundial: o surgimento do Death Metal, a explosão do Black Metal, a ascensão do metal moderno e a era digital. Como vocês avaliam as transformações da cena underground ao longo dessas quatro décadas?
Sérgio Baloff: …E sobrevivemos a todas elas sem jamais nos submetermos às imposições do mercado, até porque no Underground de verdade não há lugar para “mercado” no sentido comercial da coisa, se entende o que quero dizer. Vimos tantas pessoas e bandas desaparecendo com a mesma velocidade que surgiram, bandas sucumbindo à ganância da fama, maculando sua história por causa de dinheiro, muita ascensão e queda, e hoje ainda estamos aqui servindo como testemunhas vivas disso tudo para contar a história. Certas transformações muitas vezes são inevitáveis dentro da cena Metal, algumas até trazendo pontos positivos para a mesma, mas modas e tendências são algo que continuamos repudiando com a mesma veemência de 40 anos atrás.

CR – O Brasil sempre produziu bandas extremas de enorme relevância histórica, mas muitas delas permanecem mais cultuadas no exterior do que dentro do próprio país. Como vocês analisam a recepção internacional do Headhunter D.C. e a importância da cena brasileira para a construção do Death Metal mundial?
Sérgio Baloff: O Metal Extremo brasileiro sempre foi escola pro resto do mundo desde os nossos primórdios. Não era raro vermos matérias e entrevistas enormes com bandas como Vulcano, Dorsal Atlântica, Sepultura, Sarcófago, MX ainda quando a cena extrema daqui dava os primeiros passos em zines gringos como Satanic Death, Slayer zine, USD/Peardrop, Holocaust, Uniforce (R.I.P. Mark Sawickis), entre outros, todos sempre exaltando nossas bandas e sua relevância e pioneirismo no extremismo musical mundial. O Brasil sempre produziu uma “bestialidade” diferenciada como identidade própria, se compararmos às bandas de outros países e cenas, e é esse legado de bestialidade sonora que procuramos perpetuar nesses quase 40 anos de existência. Além disso, em se tratando de Death Metal propriamente dito, temos o Sepultura como um dos criadores diretos do gênero, o que já diz quase tudo quando tocamos nesse assunto, e nós somos extremamente orgulhosos por fazermos parte dessa história de pioneirismo no Metal da Morte aqui no país.

CR – Canções como “The Dysangelist”, “One Thousand Apocalypses” e a própria “Rise of the Damned” apresentam títulos que despertam imediatamente a curiosidade do ouvinte. Quais histórias, conceitos ou reflexões inspiraram a composição dessas músicas especificamente?
Sérgio Baloff: Títulos de canções e nossos próprios textos em si sempre foram de uma grande importância e prioridade pra mim, afinal de contas uma obra musical num geral sempre tratou-se de 50% música e 50% letra em minha opinião; um é o complemento da outra. Em ambos os casos, procuramos ter um diferencial em comparação à maioria das bandas, fugindo do usual “devastation of the annihilation” de sempre (risos!), o que não significa que temos a pretensão de sermos melhores do que ninguém, apenas termos um diferencial e estarmos sempre tentando nos superar num âmbito geral de nossa música. Falando sobre as músicas mencionadas por você, “The Dysangelist” é claramente inspirada na obra de Nietzsche, cuja fonte já bebemos em vários momentos de nossa trajetória. Seria como uma continuação de “Dysangelium”, nossa intro do álbum “God’s Spreading Cancer…”, o portador das más-novas, uma inversão do hipócrita evangelismo cristão, que vende falsas esperanças a um povo que mal sabe o que comerá amanhã. “One Thousand Apocalypses” segue com sua abordagem niilista até o talo, destruindo a mesma falsa esperança de salvação e de um mundo melhor vendida pela cristandade. A frase “nem mesmo mil apocalipses redimirão a humanidade” já diz tudo! Por fim, “Rise of the Damned” é o clamor absoluto da ascensão dos condenados pela Igreja e as hipócritas instituições exploradoras da fé alheia que por séculos e séculos nos condenam e nos sentenciam a um inferno que, como já falei anteriormente, não é nosso, mas deles. Acho que “Rise of the Damned”, letra e música, é a síntese de tudo o que sempre pensei e sonhei referente à nossa “vingança negra” contra o mundo. É o nosso “F.O.A.D.” contra os dogmas parasitários do cristianismo!

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CR – A produção de “Rise of the Damned…” consegue soar pesada, orgânica e extremamente agressiva sem recorrer aos excessos de edição que dominam parte das gravações contemporâneas. Quais foram as principais preocupações durante as sessões realizadas no Estúdio do Beco para alcançar esse resultado?
Sérgio Baloff: Justamente soar o mais orgânico possível sem abrir mão das ferramentas tecnológicas que nos estavam disponíveis, mas jamais abusando delas. Desta vez priorizamos uma produção ainda mais brutal, visceral, “in your face” que as anteriores, um disco com as guitarras ainda mais pesadas e mais na cara mesmo, sem “duelar” com o resto dos instrumentos, mas ainda permitindo uma harmonia caótica com os demais elementos de nossa música, e isso devemos muito, também, à performance magistral de Danilo “D. Morbidus” Coimbra, nosso atual mantenedor das tempestades mórbidas causadoras de morte em massa através das 6(66) cordas da perdição (haha!) — e que, inclusive, está completando 5 anos dentro do Culto da Morte. Outra menção justa e necessária é o excelente trabalho de engenharia de som de Vicente Fonseca, do Estúdio do Beco, que teve sensibilidade suficiente para absorver a essência do álbum e entregou uma gravação de acordo com o que realmente queríamos, o que foi essencial para a entrega do trabalho dentro do que imaginávamos para ele.

CR – Ao longo da carreira, o Headhunter D.C. construiu uma identidade própria através da ideia do “Headhunter Death Cult”. Como nasceu esse conceito e de que forma ele continua sendo relevante para a banda em pleno ano de 2026?
Sérgio Baloff: Passei a denominar o nosso “D.C.” como “Death Cult” a partir de 1996, quando nosso irmão português Ricardo Veiga, boss do SWR Festival e do Metalurgia zine, havia nos perguntado justamente sobre isso numa entrevista que demos ao zine dele na época e acabou sugerindo essa denominação, que até então era muito raramente ou nunca usada por bandas — com exceção, é claro, da demo do Coroner de 86, e obviamente que isso caiu como uma luva pra nossa proposta musical e ideológica, como se sempre tivesse sido assim, e a partir de então o nosso “D.C.” passou a significar definitivamente “Death Cult”.

CR – “In Death Metal We Trust” encerra o álbum de maneira quase simbólica, como uma declaração de princípios após quarenta anos de dedicação ao metal extremo. O título pode ser interpretado como um manifesto definitivo da banda? O que essa frase representa para vocês atualmente?
Sérgio Baloff: Sim, “I.D.M.W.T.” representa o mais alto grau de paixão e louvor do Headhunter D.C. ao Death Metal enquanto música e ideologia: a epítome definitiva de nossa devoção a tudo o que o Metal da Morte representa pra mim e que o Headhunter Death Cult acredita e defende com unhas e dentes por quase 4 décadas. Trata-se da continuação de uma espécie de tradição criada ainda nos primeiros dias da banda, em que sempre dedicamos uma música em reverência ao Underground e ao Metal da Morte, algo que confunde-se com a própria história da banda. Uma das primeiras composições da banda, criada em 1987 e jamais gravada oficialmente, chama-se “Fuck off the False”, e que já lidava com essa ideologia de vida do Metal Underground, a luta pelo verdadeiro Metal e a repulsa pelos posers e pelo falso metal. Ainda tenho planos de gravar oficialmente essa música para algum de nossos lançamentos futuros. A partir daí, outras músicas com esse mesmo espírito de homenagem e uma quase auto-biografia vieram, como “Headhunter D.C.”, “Long Live the Death Cult”, “Hail the Metal of Death!” e agora com “In Death Metal We Trust” — que por pouco não virou subtítulo para o novo álbum. Se percebe uma entrega quase “religiosa” no que disse, é porque o é realmente! Não somos, nunca fomos e jamais seremos como certas bandas que pulam de galho em galho de estilos de Metal a cada álbum, a cada ano: somos deathbangers do Underground e assim morreremos! Não é “it’s all about music”, é “it’s all about Death Metal”! Nele, sim, nós acreditamos!

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CR – Muitos músicos afirmam que, após décadas de estrada, o desafio deixa de ser tocar rápido ou pesado e passa a ser manter a chama criativa acesa. O que ainda motiva o Headhunter D.C. a continuar compondo, gravando e defendendo o Death Metal após quarenta anos de batalha?
Sérgio Baloff: Tocar rápido e pesado sempre fará parte de nosso objetivo como uma banda de Death Metal, mas temos uma visão sobre isso de quem tem uma bagagem e consciência consideráveis do que é realmente peso, velocidade e extremismo inteligentes dentro do Metal, quero dizer, não se trata de afinações baixíssimas ou blastbeats com 1.000.000 de batidas por segundo, saca? Por exemplo: um “Darkness Descends”, um “Reign in Blood” ou ainda um “Seven Churches”, trazendo essa conversa ainda mais pra dentro de nosso universo, são muito mais rápidos e pesados do que qualquer uma dessas bandas de “brutal video game death metal” da atualidade com todas as alternativas tecnológicas possíveis à disposição, entende? Não troco um “Scream Bloody Gore” ou um “Severed Survival” por 100 desses álbuns de death metal modernosos que ninguém lembrará daqui a 5, 10 anos! Manter a chama criativa acesa é realmente um dos maiores desafios para quem lida com música num geral, e falo isso com certa propriedade, pois já enfrentei um sério bloqueio criativo há 10 anos após a morte de minha irmã (a quem “R.O.T.D.” é dedicado), mas felizmente após algum tempo a inspiração voltou com tudo e pude me sentir vivo e ativo novamente para escrever Death Metal. A única palavra que encontro para definir o que ainda me motiva a continuar compondo, gravando e defendendo o Death Metal após tanto tempo é PAIXÃO mesmo, seguida pelo ímpeto de estarmos sempre tentando nos superar dentro de nosso próprio conceito de se tocar Unholy Metal of Death. Sem isso, com certeza nada disso faria sentido, principalmente com todos os obstáculos que temos enfrentado ao longo dos anos, e com certeza já teríamos sucumbido como várias e várias bandas assim já o fizeram.

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CR – Para encerrar, olhando para toda a história da banda — dos primeiros passos no underground baiano até o lançamento de “Rise of the Damned…” — qual legado vocês acreditam ter construído para as novas gerações de bandas extremas brasileiras e qual ainda é a missão do Headhunter D.C. daqui para frente?
Sérgio Baloff: Não sabemos quantos anos ainda teremos pela frente, mas temos a certeza de que, independente de quantos sejam, continuaremos a honrar a nossa história e nosso legado em vida, legado esse que acredito ser de honestidade, resistência e superação dentro do que nos propomos a fazer desde que começamos em 87. Um legado de 40 anos de uma trajetória de luta e resiliência sem jamais puxar o tapete de ninguém para seguirmos vivos e ativos da forma que seguimos, então espero que essa história possa servir como exemplo e inspiração para as vindouras gerações do Metal Extremo brasileiro e mundial. A missão daqui pra frente é reformularmos e estabilizarmos mais uma vez a nossa formação e promover “Rise of the Damned…” da forma mais abrangente possível dentro do universo do Death Metal Underground, principalmente através de shows brutais e sangrentos nos mais distantes palcos da Terra. Que assim seja!

CR – Agradecemos pela entrevista e pelo tempo dedicado aos leitores do Cangaço Rock. Deixamos este espaço aberto para uma mensagem final aos seguidores do Headhunter D.C., aos colecionadores do underground e aos verdadeiros fiéis do Death Metal que acompanham a banda há décadas. 🤘💀
Sérgio Baloff: Eu é que agradeço pelo verdadeiro suporte e pelo espaço cedido para espalharmos a nossa palavra. Como tenho dito, espero que a longa espera pelo nosso novo álbum tenha valido a pena para todos aqueles que o aguardaram com a mesma ansiedade que nós também o aguardamos e que “Rise of the Damned…” seja a audição definitiva de todos para o fim dos tempos! Saindo em breve também em vinil, cassete e demais itens de merchandising. Aguardem! Espero encontrar a todos na estrada do Death Metal Underground! Um grande HAIL a todos os deathcultistas, admiradores e seguidores do Culto da Morte! Permaneçam brutais e mantenham-se distantes de toda essa podridão religiosa que nos cerca! Death Metal é a única verdade! In Death Metal We Trust!!! 666…

Headhunter Death Cult 2026-66 – Anno ad Ascensionem Haereticorum:
Sérgio “Nekrobaloff666” Borges: Screams of Unsalvation & Rotten Death Prayers…
Danilo “D. Morbidus” Coimbra: Mass Death Lead & Rhythm 666-String Guitar…
Héracles “Demigod” Cardoso: Low-End 5-String Guitar for Abysmal Sounds…
Juan “Death Ax” Machado: Drumonster from Beyond…

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Cristiano Borges é historiador formado pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), pesquisador da cena underground e editor da revista Cangaço Rock. Autor de diversos fanzines e publicações voltadas à música extrema, teve o estudo “Ratos de Porão e o disco Brasil: ‘ame-o ou deixe-o’ ou o passado presente” publicado no livro Música Extrema: Ruídos, Imagens e Sentidos (2022). Atualmente, dedica-se à pesquisa da cena underground brasileira e internacional, com foco em suas dimensões históricas, culturais e sociais.

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