Início Brasil Dying Out – Total Extinction of Christendom (2026)

Dying Out – Total Extinction of Christendom (2026)

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A Dying Out surge das profundezas do underground brasileiro sem fazer questão de esconder suas intenções. Formada em 2025, em Nova Friburgo (RJ), e conduzida por Carlos Misanthropic, a banda despeja em Total Extinction of Christendom uma visão apodrecida sobre fé, religião e dogma. Depois de Christ Rejected e do single “Faith Reduced To Rot”, o projeto chega ao seu registro mais encorpado até aqui, reunindo oito faixas de Death Metal carregadas de brutalidade, obscuridade e uma clara postura anticristã. Nada aqui soa pensado para agradar. O próprio título já anuncia a sentença, e as músicas apenas tratam de transformar essa sentença em riffs, pancadas de bateria e vocais rasgados.

Suffering For Nothing abre os trabalhos sem cerimônia. Guitarras pesadas, bateria agressiva e vocais ásperos colocam o ouvinte imediatamente dentro desse cenário de fé em decomposição. Thy Rancid Flesh vem logo depois engrossando o caldo, com riffs mais trabalhados, mudanças de andamento e uma condução que alterna velocidade e peso. Em Faith Reduced To Rot, a podridão anunciada no título ganha forma dentro do conjunto, enquanto Throne Of Verminmergulha ainda mais fundo nessa atmosfera sufocante. As músicas não dependem apenas de velocidade. Há espaço para riffs cadenciados, quebras e passagens mais técnicas, mantendo aquela sensação de que algo está sempre prestes a desabar. É Death Metal feito para soar agressivo, mas sem transformar brutalidade em bagunça.

Quando chega a faixa-título, a coisa fica ainda mais evidente. Total Extinction of Christendom concentra boa parte da fúria do disco em uma composição que avança entre riffs cortantes, bateria firme e uma atmosfera de verdadeiro colapso. Pierced By Belief mantém o ataque, trabalhando mudanças que dão movimento à música sem quebrar sua identidade. Já Upheaval parece carregar o próprio significado no nome: desordem, ruptura e instabilidade traduzidas em guitarras e bateria. O encerramento com Obliteration prolonga essa sensação de destruição e fecha o álbum sem entregar qualquer alívio. A sequência funciona bem porque cada faixa acrescenta uma camada diferente à mesma podridão, fazendo o disco parecer menos uma coleção de músicas e mais um único organismo em decomposição.

Também existe algo muito importante na maneira como esse material foi construído: ele ainda carrega cheiro de porão, de produção independente e de música feita porque precisa ser feita. Carlos Misanthropic assume os instrumentos e boa parte das funções por trás da gravação, mantendo o controle sobre a identidade da Dying Out. A produção não tenta maquiar as imperfeições ou transformar o som em algo plástico. Existe peso, sujeira e definição suficiente para que guitarras, baixo e bateria encontrem seu espaço, mas sem retirar da música aquela aspereza necessária. A sonoridade combina com a proposta. Seria estranho imaginar esse álbum excessivamente limpo, porque Total Extinction of Christendom pede exatamente esse aspecto ríspido, desconfortável e underground. É música feita para permanecer longe da luz.

No fim, Total Extinction of Christendom deixa uma marca clara: a Dying Out sabe qual terreno está pisando. Ainda é uma banda jovem, mas já apresenta uma direção estética definida e uma linguagem própria em construção. O disco não tenta reinventar o Death Metal, e nem precisa. Sua força está na convicção com que encara a própria proposta. São oito faixas cercadas por blasfêmia, rancor, decadência e uma atmosfera de fim de mundo, todas amarradas por uma sonoridade pesada e direta. A capa, o título e o conteúdo caminham juntos, formando um lançamento que parece ter sido arrancado de algum lugar esquecido do underground. Total Extinction of Christendom não oferece redenção. Oferece ruína, distorção e mais alguns minutos diante de uma fé colocada para apodrecer.

Tracklist:
1. Suffering For Nothing
2. Thy Rancid Flesh
3. Faith Reduced To Rot
4. Throne Of Vermin
5. Total Extinction of Christendom
6. Pierced By Belief
7. Upheaval
8. Obliteration

Line-up:
Misanthropic — Todos os instrumentos.

Contatos: Bandcamp | YouTube | Spotify 

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Cristiano Borges é historiador formado pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), pesquisador da cena underground e editor da revista Cangaço Rock. Autor de diversos fanzines e publicações voltadas à música extrema, teve o estudo “Ratos de Porão e o disco Brasil: ‘ame-o ou deixe-o’ ou o passado presente” publicado no livro Música Extrema: Ruídos, Imagens e Sentidos (2022). Atualmente, dedica-se à pesquisa da cena underground brasileira e internacional, com foco em suas dimensões históricas, culturais e sociais.

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