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ROTTENBLOT: Mosh, Braço Quebrado e a Realidade do Underground em Resende

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Banda registra show na Casa do Fralda durante comemoração de um ano do coletivo Vale Resende

O underground não vive apenas de palco, amplificadores e riffs pesados. Existe toda uma realidade por trás de cada apresentação: equipamento para carregar, estrutura para montar, amigos ajudando, correria e, principalmente, muita vontade de fazer a cena acontecer.

É justamente esse lado que o Rottenblot mostra em um novo vídeo, registrado durante o show realizado na Casa do Fralda, em Resende (RJ), em comemoração ao primeiro ano do coletivo Vale Resende.

O material acompanha um pouco do que aconteceu antes, durante e depois da apresentação, mostrando os bastidores, a preparação da banda e a energia do público. Ao lado do Rottenblot, também participaram da noite as bandas Barricada e Austera, em um evento que representa bem a proposta do coletivo: movimentar a cena underground da região e criar espaços para bandas independentes.

E, como não poderia faltar em um show de thrash metal, o mosh também deixou suas marcas.

Um dos momentos que mais chama atenção no vídeo é o relato de um fã que acabou quebrando o braço durante o mosh do Rottenblot. Em vez de simplesmente guardar a história como lembrança, ele apareceu posteriormente com a própria radiografia da fratura, transformando o acidente em uma das histórias mais inusitadas daquela noite.

A situação resume, de certa forma, a intensidade que envolve um show underground. A música começa, o público entra no clima e, quando a roda abre, ninguém sabe exatamente onde aquilo vai parar.

Mais do que registrar uma apresentação, o vídeo mostra a realidade de quem mantém o underground funcionando. É gente carregando equipamento, montando palco, tocando como se fosse o último show da vida e depois ficando para conversar e dar risada com os amigos até o fim da noite.

O primeiro ano do Vale Resende também merece destaque. O coletivo vem trabalhando para fortalecer a cena independente de Resende, criando oportunidades para bandas locais e aproximando público e músicos em espaços fora do circuito tradicional.

A Casa do Fralda aparece, nesse contexto, como parte importante dessa movimentação, oferecendo espaço para que a cena aconteça de maneira direta e independente.

No fim das contas, é disso que o underground é feito: bandas, público, espaços pequenos, amizade, improviso e muita disposição para fazer acontecer. E, ocasionalmente, uma radiografia para provar que o mosh foi levado a sério demais.

O vídeo do Rottenblot é um registro simples, mas justamente por isso interessante. Não tenta transformar o underground em algo que ele não é. Mostra a banda no palco, nos bastidores e no meio da realidade que existe por trás de cada show.

E se existe uma maneira de comemorar um ano de um coletivo que movimenta a cena, talvez seja essa: colocando as bandas para tocar, o público para participar e deixando o underground fazer o seu trabalho.

Assista ao vídeo do Rottenblot no YouTube:

Links de contato:
instagram.com/rottenblot
facebook.com/rottenblot
youtube.com/@rottenblot

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Cristiano Borges é historiador formado pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), pesquisador da cena underground e editor da revista Cangaço Rock. Autor de diversos fanzines e publicações voltadas à música extrema, teve o estudo “Ratos de Porão e o disco Brasil: ‘ame-o ou deixe-o’ ou o passado presente” publicado no livro Música Extrema: Ruídos, Imagens e Sentidos (2022). Atualmente, dedica-se à pesquisa da cena underground brasileira e internacional, com foco em suas dimensões históricas, culturais e sociais.

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