Heavy Metal clássico em sua forma mais grandiosa
Quando uma banda jovem consegue soar familiar sem cair na simples repetição, algo especial está acontecendo. É exatamente essa sensação que Phantom Star, álbum de estreia dos curitibanos da Phantom Star, transmite. Formada em 2024, em Curitiba, a banda reúne músicos experientes da cena brasileira e aposta em uma sonoridade que combina Heavy Metal tradicional, Hard Rock e elementos progressivos, sempre envoltos por uma atmosfera épica e carregada de melodias memoráveis. Sob o selo da Classic Metal Records, o grupo apresenta um trabalho que demonstra personalidade e profundo respeito pelas raízes do gênero.

A formação atual reúne Matheus Luciano nos vocais, Lucas Licheski e Mauricio “The Fox” nas guitarras, Ricke Nunes no baixo, Mauricio “Muh” Vastrinche na bateria e Lucas Shred nos teclados. Boa parte dos integrantes possui passagem por bandas como Hell Gun, Mercy Killing, FerReus e Wild Witch, trazendo consigo uma bagagem que se reflete diretamente na maturidade do material. A produção ficou nas mãos de Arthur Migotto, responsável também pela gravação, mixagem e masterização realizadas no Heavytron Studio, enquanto a arte de capa foi desenvolvida por Nelson Fontella.
Visualmente, o álbum já entrega sua proposta. A capa remete às grandes obras do Heavy Metal clássico e da fantasia cósmica, evocando aquela mesma sensação que acompanhava os discos dos anos oitenta. Há uma clara preocupação em construir uma identidade estética própria, algo que dialoga perfeitamente com o conteúdo musical apresentado.
Logo na abertura, “Witch Hunt” mostra as credenciais da banda. O peso das guitarras, os teclados discretos e os vocais carregados de personalidade criam um equilíbrio entre tradição e grandiosidade. É uma composição que carrega ecos de Dio, Savatage e da fase mais melódica do Heavy Metal americano, sem deixar de apresentar características particulares.
“Edge of the Knife” aumenta a intensidade através de riffs cortantes e uma cozinha extremamente sólida. O trabalho de Ricke Nunes e Mauricio Vastrinche merece destaque, sustentando as mudanças de dinâmica com precisão e oferecendo uma base consistente para que as guitarras desenvolvam harmonias inspiradas no Heavy Metal tradicional.
Em “I Am the Storm”, um dos singles anteriormente divulgados, a Phantom Star evidencia sua vocação para construir refrães fortes e melodias marcantes. A música traz uma atmosfera heroica, com um certo toque de Hard Rock e uma execução que evidencia a influência de nomes como Rainbow, Pretty Maids e até mesmo os momentos mais acessíveis do Queensrÿche.
“Time” apresenta um caráter mais introspectivo. Os teclados de Lucas Shred ganham maior protagonismo, adicionando nuances progressivas e uma ambiência que amplia a profundidade da composição. É uma faixa que mostra uma banda preocupada em ir além do simples ataque de riffs.
“Chalice of Lies” resgata o peso e a agressividade moderada, exibindo um trabalho de guitarras bastante inspirado. Os solos desenvolvidos por Lucas Licheski e Mauricio “The Fox” surgem como um dos pontos altos do disco, revelando técnica, bom gosto e um entendimento muito claro da linguagem clássica do Heavy Metal.
“Orpheus Quest” talvez seja uma das músicas mais interessantes do trabalho. Seu desenvolvimento mais elaborado e a construção quase cinematográfica remetem ao Heavy Metal épico e progressivo. A narrativa sonora e as passagens instrumentais demonstram que a banda não se limita às estruturas mais convencionais.
Em “Touch of a Curse”, outro single já conhecido pelos fãs, a Phantom Star reforça sua capacidade de unir peso, melodia e acessibilidade. Trata-se de uma composição que facilmente poderia figurar em coletâneas dedicadas ao Heavy Metal melódico contemporâneo.
A faixa-título encerra o álbum de maneira grandiosa. “Phantom Star” funciona como uma síntese de tudo o que o grupo propõe: melodias cativantes, riffs inspirados, teclados atmosféricos e uma interpretação vocal segura. É o tipo de encerramento que deixa a sensação de que a viagem poderia continuar por mais algumas músicas.
Instrumentalmente, o álbum impressiona pela coesão. Não há exibicionismo desnecessário. Cada músico atua em favor das composições, privilegiando a construção de atmosferas e a força das melodias. Os teclados aparecem como complemento, enriquecendo a sonoridade sem roubar espaço das guitarras, enquanto a seção rítmica mantém a firmeza necessária para sustentar toda a proposta.
As influências são perceptíveis, mas nunca dominam completamente o resultado. É possível identificar elementos de Dio, Savatage, Rainbow, Queensrÿche e do Heavy Metal melódico europeu, além de certas nuances progressivas que enriquecem a experiência. Ainda assim, a Phantom Star consegue estabelecer uma identidade própria, fundamentada em sua temática cósmica e em sua abordagem voltada para a criação de atmosferas épicas.
Em tempos em que muitas bandas procuram reinventar o Heavy Metal a qualquer custo, a Phantom Star escolhe outro caminho: honrar a tradição e, ao mesmo tempo, imprimir personalidade em cada composição. Phantom Star não é apenas um promissor álbum de estreia; é um trabalho maduro, bem produzido e repleto de paixão pelo gênero. Um disco que reafirma a vitalidade do Heavy Metal brasileiro e que coloca o nome dos curitibanos entre os lançamentos mais interessantes do ano.
Mais do que um exercício de nostalgia, Phantom Star demonstra que o Heavy Metal clássico continua vivo, pulsante e capaz de produzir obras relevantes. E se este primeiro capítulo serve como indicação do futuro da banda, certamente ainda há muitas estrelas a serem descobertas nessa galáxia chamada Phantom Star.
Tracklist:
1 – “Witch Hunt”
2 – “Edge of the Knife”
3 – “I Am the Storm”
4 – “Time”
5 – “Chalice of Lies”
6 – “Orpheus Quest”
7 – “Touch of a Curse”
8 – “Phantom Star”
Line-up:
Matheus Luciano —vocais.
Maurício “The Fox” — guitarras.
Lucas Licheski — guitarras.
Ricke Nunes — baixo.
Vinicius “Muh” Vastrinche — bateria.
Lucas Shred — teclados.
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