Celebrando a excelente repercussão de seu álbum de estreia, o Phantom Star conversa com exclusividade com o Cangaço Rock. Representando a banda, Matheus Luciano e Lucas Licheski falam sobre o processo criativo, as influências, a produção do disco, o conceito da arte da capa, a importância do formato físico e os próximos passos do grupo, revelando os bastidores de uma das bandas mais promissoras da nova geração do Heavy Metal nacional.
CR – Depois de uma sequência de singles que despertaram bastante expectativa, finalmente o álbum completo chegou às mãos do público. Hoje, olhando para esse trabalho pronto, qual é a sensação predominante? Existe um sentimento de missão cumprida ou a impressão de que este disco representa apenas o primeiro capítulo de uma história muito maior?
Phantom Star: A sensação é uma mescla de ambos os sentimentos. Estamos muito orgulhosos do trabalho pronto e já temos muitas outras ideias e composições para um segundo e até um terceiro álbum. Então, estamos felizes demais com a boa resposta do público e ansiosos para mostrar os próximos capítulos dessa jornada.
CR – O disco apresenta uma identidade muito sólida, mesmo dialogando com nomes históricos do Heavy Metal tradicional e do US Metal. Em que momento vocês sentiram que o Phantom Star havia encontrado uma personalidade própria e deixado de ser apenas um conjunto de influências?
Phantom Star: Sempre tivemos nossas influências muito bem definidas, mas jamais deixamos que elas falassem mais alto do que nossa própria forma de arte. Então, sim, temos várias referências das escolas citadas e diversas outras vertentes, que vão do Classic Rock ao Metal Extremo, mas também priorizamos muito nossa identidade própria.

CR – A estreia de uma banda costuma carregar anos de ideias acumuladas. Existem músicas desse álbum que nasceram ainda antes da formação oficial do Phantom Star ou todo o repertório foi composto já pensando especificamente na identidade da banda?
Phantom Star: Sim, nesse caso, todas as composições já existiam antes de a banda existir oficialmente, antes apenas como um projeto envolvendo Lucas Licheski e Matheus Luciano. Já para os trabalhos posteriores, existem composições dos demais membros da banda.
CR – Há uma diferença enorme entre escrever uma boa música e construir um álbum que funcione como uma experiência completa. Como vocês organizaram a ordem das faixas para que o disco tivesse dinâmica, narrativa e evolução durante a audição?
Phantom Star: O disco, apesar de não ser conceitual no sentido de contar uma única narrativa liricamente, evoca essa sensação de uma história sendo contada. Então, seguimos nosso feeling de que maneira esse clima quase cinematográfico iria se desenvolver. Da introdução ao encerramento do disco, foi pensado um começo, meio e fim.
CR – Ouvindo atentamente o álbum, percebe-se um equilíbrio entre peso, técnica, melodias e momentos mais atmosféricos. Essa combinação surgiu naturalmente durante as composições ou houve uma preocupação consciente em evitar excessos e criar um disco realmente equilibrado?
Phantom Star: Sim, definitivamente tivemos esse cuidado com as composições e com a produção, e o mesmo se aplica aos sets ao vivo.
CR – A produção chama atenção por preservar uma sonoridade orgânica, distante de muitas gravações extremamente editadas que dominam o mercado atualmente. Essa escolha foi uma posição artística desde o início ou ela foi sendo construída durante as sessões de estúdio?
Phantom Star: Ela soa assim porque foi exatamente dessa forma que foi realizada. Todas as sessões instrumentais do disco foram realizadas em apenas um dia. Poucas edições foram feitas na parte instrumental. Tivemos o cuidado do produtor Arthur Migotto, mas o disco soa orgânico porque foi realmente feito e pensado dessa maneira.
CR – As guitarras possuem papel central no álbum, mas os teclados aparecem sempre enriquecendo as atmosferas sem competir pelo protagonismo. Como vocês trabalharam os arranjos para que cada instrumento encontrasse seu espaço dentro das composições?
Phantom Star: Acreditamos que cada instrumento tem seu lugar de fala e sua “camada” específica. Claro, as guitarras se sobressaem por sermos uma banda de Heavy Metal, mas todos os instrumentos têm igual importância, e temos a sorte de contar com músicos extremamente competentes, que brilham cada um em seu momento.
CR – O Heavy Metal clássico costuma ser lembrado principalmente pelos riffs, mas este disco também demonstra uma preocupação evidente com melodias vocais bastante marcantes. Como funciona o processo de criação entre instrumental e linhas de voz? O que normalmente nasce primeiro?
Phantom Star: Depende de cada composição. Em algumas, a linha vocal nasce antes e o instrumental se adequa; o contrário também acontece.
CR – O álbum transmite uma sensação cinematográfica em vários momentos. Existe alguma influência vinda de trilhas sonoras, literatura fantástica, cinema ou outros universos além da própria música que acabam influenciando as composições?
Phantom Star: Com certeza. Consumimos, além de Rock Progressivo, muita literatura, sci-fi, histórias em quadrinhos, jogos etc. Carregamos muita influência de Hans Zimmer como compositor de trilhas cinematográficas. Estamos envolvidos em um projeto bastante interessante nesse sentido, que será divulgado em breve…

CR – A arte da capa dialoga diretamente com a proposta musical do disco e resgata uma estética muito ligada aos grandes clássicos do Heavy Metal. Qual foi o conceito desenvolvido para essa ilustração e até que ponto ela representa visualmente o universo do Phantom Star?
Phantom Star: A ideia para a capa surgiu para ser o reflexo exato da música que a banda faz. Queríamos resgatar aquela magia das capas clássicas dos anos 80 e usamos como referência os visuais e conceitos de discos que amamos, como The Warning, do Queensrÿche, The Spectre Within, do Fates Warning, e Transcendence, do Crimson Glory. A ilustração traduz o nosso universo em dois pontos: Na mistura do orgânico com o cibernético, essa fada biomecânica mostra visualmente o equilíbrio que a gente busca no som. De um lado, o peso do Heavy Metal tradicional; do outro, a técnica e as texturas do Progressivo. É a união da carne com a máquina. O cenário escuro e cheio de estrelas traz o mistério que o próprio nome “Phantom Star” carrega. É um visual imponente e meio sci-fi que prepara quem está ouvindo para uma experiência grandiosa, dramática e teatral, que é o que buscamos cimentar na imagem da banda.
CR – Em tempos em que praticamente tudo é consumido por streaming, vocês apostaram também em edições físicas bastante especiais. Qual a importância do CD e, principalmente, do vinil para uma banda que valoriza tanto a experiência completa de ouvir um álbum?
Phantom Star: Não poderia ser mais importante. Uma banda de Heavy Metal somente existe quando tem seu material físico. Isso é crucial em nossa cultura e extremamente importante para nós.

CR – Cada integrante possui referências diferentes dentro do Heavy Metal. Em algum momento essas diferenças geraram debates durante o processo criativo? Alguma música acabou tomando um rumo completamente diferente da ideia inicial justamente por causa dessas divergências?
Phantom Star: Não. A banda tem uma visão muito clara de sua própria identidade e, por termos um time de músicos experientes, todos estão conscientes disso, da contribuição e do peso de cada integrante.
CR – Desde o início da trajetória, a banda já dividiu palco com nomes importantes do cenário internacional. O que essas experiências ensinaram sobre performance ao vivo, composição e profissionalismo que acabou sendo incorporado ao trabalho de estúdio?
Phantom Star: Foi crucial termos, desde o início, a oportunidade de nos colocar em palcos “maiores”, assim como os rolês mais underground também são muito importantes. O peso disso é a banda saber se está se expressando corretamente no palco, além da parte de equipamentos, cenários etc.
CR – O Heavy Metal tradicional vive um momento de renovação mundial, com diversas bandas surgindo sem abrir mão das raízes. Como vocês enxergam o papel do Phantom Star dentro desse movimento? Há espaço para construir algo novo sem abandonar a tradição?
Phantom Star: Sim, existe muito espaço para renovação e criatividade, principalmente quando se enxerga a música e o Heavy Metal como forma de arte. Praticamos o estilo em sua forma original e mais profunda, então, sim, existe muito espaço para renovação, e as novas bandas (muitas delas brasileiras) vêm mostrando isso.
CR – Para encerrar, se daqui a dez anos alguém colocar o álbum Phantom Star para tocar pela primeira vez, qual vocês esperam que seja a principal impressão dessa pessoa ao chegar na última faixa? Que legado vocês desejam que este disco deixe tanto para a história da banda quanto para o Heavy Metal brasileiro?
Phantom Star: Desejamos que seja um disco agradável, relevante e que tenha contribuído de alguma forma para a vasta história do Metal Nacional.








