Início Brasil Vazio & Velho: Split ao Vivo – “Live Black Magic Fest” (2018)

Vazio & Velho: Split ao Vivo – “Live Black Magic Fest” (2018)

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Lançar um material ao vivo ainda é algo raro no Brasil. Poucas bandas conseguem realizar tal feito, o que é lamentável, pois acredito que toda banda mereça, em algum momento, um registro desse tipo. Pois bem, o material em questão trata-se de um split ao vivo reunindo duas potências do black metal nacional, duas bandas que, quando o assunto é apresentação ao vivo, dispensam qualquer tipo de apresentação: Vazio e Velho. O registro foi realizado durante o Black Magic Fest, capturando as duas hordas em plena ação.

Ao todo, o material apresenta 16 faixas, sendo sete do Vazio e oito do Velho, embora essa soma resulte em 15 faixas, portanto, vale conferir a quantidade oficial do lançamento. O que não deixa qualquer dúvida é a energia descomunal expelida por ambas as bandas. No lado do Vazio, temos faixas brutais como “Eterno Vazio”, “Sombras de um Passado Antigo”, “Força Opositora” e “Besta Interior”, executadas com a intensidade característica da banda.

No lado do Velho, fazem-se presentes alguns clássicos, como “Perto dos Portais da Loucura”, “Mais um Ano Esfria” e “Satã Apareça”, além da mais recente,  e tão fudida quanto as demais, “A Nova Onda Ocultista”. São músicas que ganham uma dimensão ainda mais agressiva quando transportadas para o ambiente de um show, onde a espontaneidade e a violência da execução tornam tudo muito mais visceral.

A execução de ambas as bandas é algo fudidamente mágico. Dá para sentir toda a energia negra que esses músicos libertam ao executar esses verdadeiros hinos de total obscuridade. O registro consegue transmitir justamente essa atmosfera, mantendo aquela sensação de estar diante do palco, cercado pela intensidade, pela sujeira e pela força que caracterizam uma apresentação de black metal realmente underground.

Não há muito mais o que dizer: ambas as hordas já são velhas conhecidas do cenário e seguem em plena atividade e produção. Este split ao vivo funciona, portanto, como um documento importante dessa força em ação e como uma demonstração de que o black metal nacional continua produzindo registros que merecem ser preservados. Material indispensável para quem acompanha a cena brasileira e, principalmente, para quem sabe reconhecer a força de um bom registro ao vivo.

Tracklist:
1. Vazio – Eterno Vazio
2. Vazio – Sombras de um Passado Antigo
3. Vazio – Monumentos da Decadência
4. Vazio – Além dos Limites da Criação
5. Vazio – Força Opositora
6. Vazio – Besta Interior
7. Vazio – Nova Era Infernal
8. Velho – A Nova Onda Ocultista
9. Velho – Cadáveres e Arte
10. Velho – A Mesma Velha História
11. Velho – Perto dos Portais da Loucura
12. Velho – Satã, Apareça!
13. Velho – Total Escuridão
14. Velho – Mais um Ano Esfria
15. Velho – Único Caminho
16. Velho – A Marca Invisível de Lúcifer

Esta resenha faz parte do acervo do antigo Cangaço Rádio Rock, publicada na época em que ainda mantínhamos nossa rádio online. Agora, estamos resgatando alguns desses materiais para preservá-los nesta nova fase do Cangaço Rock, mantendo viva uma parte da história que construímos ao longo dos anos em prol do metal underground. Se você curte esse tipo de conteúdo, leia, compartilhe e ajude a divulgar nosso trabalho entre os headbangers do Brasil e do mundo. Seu compartilhamento é a maior forma de apoiar o nosso projeto e o incentivo para continuarmos produzindo conteúdo de forma totalmente independente e sem fins lucrativos. O underground só permanece forte quando a própria cena valoriza e divulga aquilo que é feito por ela.

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Cristiano Borges é historiador formado pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), pesquisador da cena underground e editor da revista Cangaço Rock. Autor de diversos fanzines e publicações voltadas à música extrema, teve o estudo “Ratos de Porão e o disco Brasil: ‘ame-o ou deixe-o’ ou o passado presente” publicado no livro Música Extrema: Ruídos, Imagens e Sentidos (2022). Atualmente, dedica-se à pesquisa da cena underground brasileira e internacional, com foco em suas dimensões históricas, culturais e sociais.

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