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Nunslaughter – Satanic Chaos Legions (2026)

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O NUNSLAUGHTER é uma daquelas instituições do underground que não precisam de apresentação extensa para quem acompanha o metal extremo há décadas. Desde Cleveland, Ohio, o grupo construiu uma trajetória marcada por death metal primitivo, blasfêmia e uma postura deliberadamente avessa a qualquer tentativa de domesticação sonora. Em Satanic Chaos Legions, Don of the Dead retorna à frente da horda acompanhado por Wrath na bateria, Malum no baixo e Tormentor na guitarra, formando uma unidade que entende perfeitamente a proposta do grupo. A faixa-título abre o disco sem cerimônia, despejando riffs ásperos, bateria veloz e vocais agressivos em uma combinação que estabelece imediatamente o clima da obra. “Jesus Fu*king Dies” mantém a velocidade e a atitude punk, enquanto “Unsacrament” investe em ataques mais secos e diretos. O resultado é uma sequência inicial que não perde tempo com adornos: o NUNSLAUGHTER apresenta sua música como uma descarga, mantendo a composição objetiva e o impacto acima de qualquer pretensão técnica.

A parte instrumental merece atenção justamente pela maneira como cada músico contribui para essa estética de brutalidade sem excessos. Tormentor trabalha guitarras ríspidas, riffs cortantes e solos que preservam a sujeira necessária ao estilo, enquanto Malum acrescenta peso à base sem transformar o baixo em mero elemento secundário. Wrath é responsável por uma bateria que alterna velocidade, pancadas secas e mudanças de andamento com bastante naturalidade. Em “Christian Ruse”, “Die Your Own Death” e “Rotten Messiah”, essa combinação aparece de maneira bastante evidente, com estruturas simples, mas eficientes. “Peukharist” surge como um dos ataques mais violentos do álbum, acelerando o motor até o limite, enquanto “Undead Melody” introduz uma dinâmica ligeiramente diferente, trabalhando uma atmosfera mais cadenciada antes de retornar à agressividade. O NUNSLAUGHTER não precisa transformar cada composição em demonstração de virtuosismo. Sua força está justamente na capacidade de fazer riffs aparentemente simples soarem ameaçadores quando executados com convicção.

Na segunda metade, “Cathedral of Stench” retoma o caráter profano do disco através de guitarras ásperas e uma condução pesada, enquanto “In the Flames of Inferno” mantém a pressão com bateria acelerada e uma base instrumental compacta. “Lucifer the Light” apresenta Don of the Dead novamente em posição de destaque. Seu vocal rasgado, cavernoso e agressivo funciona como uma assinatura sonora, sem qualquer tentativa de suavização. Em “Listen to the Lies”, a banda retorna ao formato direto, utilizando riffs objetivos e uma bateria que sustenta o caráter urgente da composição. A produção de Satanic Chaos Legions segue essa mesma lógica. Não existe a preocupação de transformar o álbum em uma produção limpa e excessivamente cristalina. Guitarra, baixo, bateria e vocal preservam suas características dentro de uma mixagem que valoriza a pressão do conjunto. A masterização mantém o disco encorpado e agressivo, sem retirar completamente aquela aspereza que faz parte da identidade do NUNSLAUGHTER.

“Infernal Reign” e “The Spear of Satan” fecham o disco como uma última rajada de violência sonora, sem diminuir um segundo sequer a pressão construída ao longo das faixas anteriores. “Infernal Reign” vem carregada de riffs ásperos, bateria em disparada e os berros venenosos de Don of the Dead, enquanto “The Spear of Satan” entra como golpe final, encerrando o álbum em meio a guitarras sujas, pancadas secas e puro desprezo religioso. É nesse momento que fica evidente o que mantém o NUNSLAUGHTER relevante dentro do subterrâneo: a banda não precisa inventar moda, polir sua sonoridade ou transformar suas músicas em exercícios de técnica. O ataque está nos riffs simples e cortantes, na bateria que não dá trégua e naquela atitude punk que deixa tudo mais urgente, enquanto o death metal fornece a sujeira e a brutalidade. A capa segue a mesma linha de confronto, traduzindo visualmente a obscuridade e a blasfêmia que dominam o disco. Com a edição brasileira pela BLKIIBLK Records em parceria com a Shinigami Records, Satanic Chaos Legions chega por aqui mantendo a chama acesa no lugar onde o NUNSLAUGHTER sempre funcionou melhor: o underground, longe de modismos, sem pedir licença e sem qualquer intenção de baixar o volume.

Depois de registros como Hell’s Unholy Fire, Goat e Red Is the Color of Ripping Death, “Satanic Chaos Legions” chega sem precisar provar que o NUNSLAUGHTER continua sendo NUNSLAUGHTER. São quatorze faixas construídas sobre riffs agressivos, bateria veloz, baixo pesado e vocais que transformam blasfêmia em combustível para a música. O resultado é um álbum coeso, direto e fiel à história de uma banda que atravessou décadas sem abandonar sua essência. Satanic Chaos Legions é, acima de tudo, um registro de continuidade: o NUNSLAUGHTER permanece no subterrâneo, com o som sujo, a atitude provocadora e a disposição de sempre. Para quem acompanha o death metal underground, é exatamente esse tipo de permanência que mantém certas hordas vivas. Adquira sua cópia aqui: https://bit.ly/4xJwiDz.

Tracklist:
1. Satanic Chaos Legions
2. Jesus Fu*king Dies
3. Unsacrament
4. Christian Ruse
5. Die Your Own Death
6. Rotten Messiah
7. Peukharist
8. Undead Melody
9. Cathedral of Stench
10. In the Flames of Inferno
11. Lucifer the Light
12. Listen to the Lies
13. Infernal Reign
14. The Spear of Satan

Line-up:
Don of the Dead – Vocais.
Wrath – Bateria.
Malum – Baixo.
Tormentor – Guitarra.

Gravadora: BLKIIBLK Records/Shinigami Records

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Cristiano Borges é historiador formado pela Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), pesquisador da cena underground e editor da revista Cangaço Rock. Autor de diversos fanzines e publicações voltadas à música extrema, teve o estudo “Ratos de Porão e o disco Brasil: ‘ame-o ou deixe-o’ ou o passado presente” publicado no livro Música Extrema: Ruídos, Imagens e Sentidos (2022). Atualmente, dedica-se à pesquisa da cena underground brasileira e internacional, com foco em suas dimensões históricas, culturais e sociais.

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